“Trataram como lixo”: família denuncia Prefeitura de Manaus por entrega de corpo sem dignidade pelo SOS Funeral; veja vídeo

A Prefeitura de Manaus, na gestão do prefeito David Almeida, é apontada como responsável direta pelo tratamento desumano dado ao corpo de Iara Pacheco, de 30 anos, entregue à família em condições consideradas indignas e revoltantes. O serviço funerário envolvido, o SOS Funeral, atua por meio de contrato com o Município, o que torna a administração municipal responsável pela fiscalização, qualidade e humanização do serviço prestado à população.

Segundo relato dos familiares, o corpo da jovem — que faleceu por volta das 11h da manhã durante o trabalho de parto — só foi entregue quase 12 horas depois, por volta das 23h, no bairro Santa Marta, dentro de um saco de remoção cadavérica, sem qualquer preparo funerário, higienização ou dignidade mínima. O corpo foi colocado diretamente em um caixão e entregue dessa forma à família.

A situação gerou desespero, indignação e revolta. O corpo apresentava sinais claros de inchaço, indicando ausência total de procedimentos técnicos básicos, como formolização, o que inclusive poderia representar risco sanitário durante o velório. Para os familiares, Iara foi tratada como “um objeto descartável”, evidenciando o abandono e o descaso do poder público.

Por se tratar de um serviço terceirizado e custeado com recursos públicos, a responsabilidade não recai apenas sobre a empresa, mas também sobre a Prefeitura de Manaus, que tem o dever legal de garantir que serviços essenciais — inclusive após a morte — sejam prestados com respeito à dignidade da pessoa humana, princípio fundamental previsto no artigo 1º da Constituição Federal.

Além disso, o caso pode configurar crime previsto no artigo 212 do Código Penal (vilipêndio a cadáver), que ocorre quando há desrespeito ao corpo humano após a morte. Normas municipais e princípios da administração pública exigem conduta ética, respeito e cuidado, especialmente em serviços funerários vinculados ao Município — o que, segundo a denúncia, não foi cumprido.

Outro ponto que agrava a situação é que Iara Pacheco era muda e surda, o que reforça a vulnerabilidade da vítima e levanta questionamentos sobre a qualidade da assistência oferecida pelo sistema público de saúde desde o atendimento obstétrico até os procedimentos pós-morte.

A família cobra respostas imediatas, abertura de investigação, afastamento de responsáveis, revisão dos contratos do SOS Funeral e uma posição oficial do prefeito David Almeida, já que o serviço denunciado opera sob a responsabilidade da gestão municipal.

O caso escancara uma realidade dura: enquanto a Prefeitura divulga Manaus como “cidade de primeiro mundo” nas redes sociais, famílias pobres continuam enfrentando abandono, humilhação e desumanização, inclusive no momento mais doloroso de suas vidas — a perda de um ente querido.

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