Reviravolta: Justiça solta mãe que teria incitado linchamento de estuprador da própria filha em Jutai no Amazonas

08 de julho de 2025 às 14:58 - Horário de Manaus

Por Redação Vizinho TV Para o Vizinho TV

Jutaí (AM) – Cinco pessoas investigadas pela invasão à 56ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Jutaí e pelo linchamento de Gregório Patrício da Silva, de 48 anos, tiveram suas prisões preventivas revogadas nesta segunda-feira (7). A decisão da Justiça ocorreu após uma audiência de instrução realizada por videoconferência, que ouviu mais de 11 testemunhas, incluindo policiais civis, militares e guardas municipais.

Entre os beneficiados está Vitória Assis Nogueira, mãe da pequena Lailla Vitória, de apenas 1 ano e 6 meses, estuprada e assassinada em setembro de 2024 – crime pelo qual Gregório havia sido preso antes de ser brutalmente morto por uma multidão enfurecida.

O juiz responsável pelo caso entendeu que houve excesso de prazo na prisão preventiva, que já durava mais de oito meses. Com base no artigo 319 do Código de Processo Penal, os acusados foram colocados em liberdade provisória, mediante medidas cautelares.

Gregório foi detido em 20 de setembro do ano passado, acusado do estupro seguido de morte da filha de Vitória. No momento do interrogatório, dezenas de pessoas invadiram a unidade policial, o retiraram da cela e o lincharam em plena via pública. Além de ser espancado até a morte, seu corpo foi incendiado. As cenas da violência extrema foram registradas em vídeo e circularam amplamente nas redes sociais, causando comoção nacional.

Ao todo, 20 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM) por envolvimento no caso. Quinze delas chegaram a ser presas preventivamente durante a investigação. Segundo o MP, Vitória teria incitado a população contra Gregório, o que resultou na invasão à delegacia. No entanto, a defesa da mãe nega as acusações, alegando que ela agiu sob intensa comoção emocional após a perda brutal da filha.

O caso segue em tramitação na Justiça e segue sendo acompanhado de perto por órgãos de direitos humanos e pela sociedade civil, devido à sua complexidade e repercussão social.