Caso só foi resolvido após mãe procurar a imprensa; Prefeitura já gastou mais de R$ 160 milhões com rotas escolares da Leo Rent a Car
Manaus – Uma mãe revoltada procurou o Portal Vizinho TV, na manhã desta quinta-feira (15), para denunciar o que classificou como descaso e falta de sensibilidade da Secretaria Municipal de Educação (Semed) no atendimento a alunos com necessidades especiais.
Segundo a denúncia, o filho da mãe, uma criança de apenas 11 anos, diagnosticada com TDAH e com laudos médicos comprovados, estava sendo obrigado a estudar longe de casa, em uma escola localizada na BR-174, no quilômetro 2, colocando a criança em situação de risco diário.
De acordo com a mãe, a Semed teria negado inicialmente a transferência para uma escola mais próxima do bairro União da Vitória, mesmo ciente de que a criança não possui rota escolar, teria que pegar dois ônibus e ainda atravessar uma das rodovias mais perigosas de Manaus.
“Meu filho tem TDAH, tenho laudo, ele só tem 11 anos. Não tem rota escolar. Ele teria que atravessar a BR-174 todos os dias. Isso é desumano”, desabafou.
A situação só começou a mudar depois que a mãe procurou o Portal Vizinho TV e informou que iria denunciar o caso aos veículos de comunicação.
Segundo ela, após a repercussão inicial e o aviso de que o caso se tornaria público, a Semed voltou atrás e resolveu rapidamente o problema, autorizando a transferência do aluno para uma escola mais próxima e segura.
O episódio levanta um alerta grave: quantas mães, sem acesso à imprensa, continuam tendo seus direitos ignorados?
A denúncia ganha ainda mais peso quando comparada aos valores milionários pagos pela Prefeitura de Manaus para o transporte escolar.
Entre 2021 e 2025, a Prefeitura já desembolsou R$ 387,7 milhões com transporte escolar. Desse total, R$ 163,6 milhões — o equivalente a 42% do valor total — foram pagos somente à empresa Leo Rent a Car, responsável por grande parte das rotas escolares da rede municipal.
Mesmo com esse volume de dinheiro público, pais seguem denunciando rotas cortadas, ônibus ausentes e crianças expostas a riscos diários.