Trabalhadores da empresa terceirizada SILVA SERVIÇOS LTDA, responsável pela limpeza em escolas municipais vinculadas à Secretaria Municipal de Educação (Semed), denunciam atraso de salários e falta de direitos trabalhistas e ameaçam paralisar as atividades já no início do ano letivo de 2026, em Manaus.
Segundo os funcionários, a situação se arrasta há meses e expõe o que classificam como “descaso da gestão municipal” com pais e mães de família que dependem do serviço para sobreviver. Entre as denúncias estão atrasos salariais, não pagamento de 13º, férias, ausência de depósitos de FGTS e INSS, além da suspensão de benefícios básicos como vale-transporte, alimentação e cesta básica.
Em carta aberta, os terceirizados pedem que a Prefeitura de Manaus retire imediatamente a empresa do contrato com a Semed, alegando que a terceirizada não vem honrando compromissos trabalhistas há anos. O apelo foi direcionado tanto ao prefeito interino Renato Júnior quanto ao prefeito David Almeida, cobrando uma fiscalização mais rigorosa.
Os trabalhadores afirmam que são obrigados a assinar folhas de ponto mesmo durante férias, relatam perseguições internas e dizem sofrer ameaças ao questionar atrasos. Muitos estariam sem condições de trabalhar por falta de transporte e alimentação, enquanto as contas básicas seguem chegando.
De acordo com fontes ligadas ao grupo, a categoria já se organiza para ingressar com ação judicial contra a Prefeitura de Manaus e contra a empresa SILVA SERVIÇOS. A paralisação no começo do ano letivo é vista como última alternativa diante da falta de resposta concreta das autoridades.

Há ainda denúncias de descontos em empréstimos consignados sem o devido repasse aos bancos, o que estaria gerando cobranças diretas aos funcionários. Em alguns casos, apenas parte dos colaboradores recebeu benefícios recentemente, aumentando a revolta entre os demais.
Os terceirizados questionam a atuação dos fiscais de contrato da Semed e apontam falhas na supervisão das empresas terceirizadas. Segundo eles, novos funcionários estariam sendo contratados mesmo com atrasos salariais generalizados, enquanto trabalhadores antigos acumulam prejuízos.
A situação reacende críticas à gestão do prefeito David Almeida, que frequentemente divulga ações e melhorias na educação municipal, mas enfrenta cobranças por problemas recorrentes envolvendo terceirizadas, estrutura precária e falta de acompanhamento dos contratos públicos.
Para os trabalhadores, a realidade nas escolas está distante das promessas oficiais: “Ninguém consegue trabalhar sem salário. Somos pais e mães de família, precisamos pagar aluguel, água, luz e colocar comida dentro de casa”, diz um trecho do manifesto.
No fim do documento, os funcionários pedem providências urgentes e reforçam que não descartam buscar apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT). Eles também denunciam possíveis irregularidades na função de alguns colaboradores e afirmam que há trabalhadores habilitados para outras atividades exercendo cargos diferentes dentro das escolas.