AMAZONAS – A Justiça do Amazonas voltou a condenar Cleusimar Cardoso Rodrigues e Ademar Farias Cardoso Neto, mãe e irmão da ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso, por participação em uma organização criminosa voltada ao tráfico de cetamina em Manaus. A nova sentença também atingiu outras cinco pessoas apontadas como integrantes do esquema.
A decisão foi proferida pela 3ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes (Vecute) e publicada na quarta-feira (22), quase dez meses após a anulação da sentença anterior. O processo retornou para novo julgamento após o Ministério Público do Amazonas (MPAM) apontar falhas processuais relacionadas às provas periciais, que posteriormente foram regularizadas.
Djidja Cardoso, ex-sinhazinha do Boi Garantido e figura conhecida no cenário cultural amazonense, morreu em maio de 2024. A investigação sobre sua morte revelou um complexo esquema de obtenção, distribuição e consumo de cetamina, droga de uso veterinário que, quando utilizada de forma indevida, possui efeitos alucinógenos e dissociativos.
Segundo a magistrada responsável pelo caso, as provas reunidas durante a instrução processual comprovaram a existência de uma organização criminosa estruturada para adquirir, distribuir e incentivar o consumo da substância.
De acordo com a sentença, Cleusimar Cardoso exercia o papel de líder do grupo, coordenando as ações da organização criminosa. Já Ademar Cardoso era considerado o principal executor das atividades ilícitas, responsável por operacionalizar o esquema.
As investigações apontaram que o grupo utilizava um salão de beleza e a seita religiosa denominada “Pai, Mãe, Vida” como locais para promover encontros, facilitar o acesso à droga e incentivar o consumo indiscriminado da cetamina entre os participantes.
Na decisão, a Justiça determinou a manutenção da prisão preventiva de Cleusimar Cardoso, Ademar Cardoso, José Máximo Silva de Oliveira e Hatus Moraes Silveira, que permanecerão presos e não poderão recorrer da condenação em liberdade.
Por outro lado, Verônica da Costa Seixas, Sávio Soares Pereira e Bruno Roberto da Silva Lima poderão recorrer da sentença em liberdade, desde que cumpram as medidas cautelares impostas pela Justiça, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
A nova sentença substitui integralmente a decisão anterior, anulada após o Ministério Público identificar irregularidades processuais. Com a correção das falhas e a validação das provas periciais, a Justiça concluiu que havia elementos suficientes para confirmar a atuação dos acusados na organização criminosa especializada no tráfico de cetamina em Manaus.