Presidente dos Rodoviários ameaça deixar Manaus com apenas 30% dos ônibus circulando na sexta-feira (7) em plena reta eleitoral

MANAUS – A ameaça de uma nova paralisação no transporte coletivo de Manaus voltou a colocar o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir Oliveira, no centro das discussões. A categoria anunciou que poderá reduzir a circulação dos ônibus para 30% da frota caso os salários dos trabalhadores não sejam pagos até esta quinta-feira (6).

Embora os rodoviários afirmem que a mobilização tem como objetivo garantir direitos trabalhistas e cobrar uma solução para os atrasos salariais, a atuação de Givancir também é alvo de críticas e acusações que há anos alimentam a disputa entre sindicato, empresários e o poder público.

Uma das principais polêmicas envolve declarações do empresário Jorge Fernandes Garcia de Vasconcellos Junior, proprietário da empresa Açaí Transportes Coletivos LTDA. Em vídeos publicados nas redes sociais, o empresário fez acusações contra o dirigente sindical e afirmou que Givancir teria recebido R$ 500 mil para aceitar mudanças no sistema de transporte, incluindo a retirada dos cobradores dos ônibus.

Segundo Jorge Fernandes, as manifestações realizadas na época contra o fim da função de cobrador teriam sido utilizadas como estratégia de pressão. O empresário alega que, enquanto o sindicato publicamente defendia os trabalhadores, haveria negociações paralelas envolvendo empresários do setor.

As declarações também citam o vereador Jaildo dos Rodoviários (PV), irmão de Givancir Oliveira. De acordo com o empresário, ambos teriam participado de articulações políticas e manifestações relacionadas ao tema.

As acusações feitas por Jorge Fernandes foram divulgadas publicamente, mas não representam uma conclusão oficial de investigação ou decisão judicial. Até o momento, Givancir Oliveira não teve condenação relacionada a essas alegações e sempre defendeu sua atuação à frente do sindicato como uma representação dos interesses dos trabalhadores.

O episódio voltou a ganhar repercussão porque ocorre em meio a mais uma ameaça de paralisação no transporte coletivo, justamente em um período de movimentação política e eleitoral, cenário que historicamente aumenta as disputas entre sindicatos, empresas e gestores públicos.

Enquanto empresários apontam possíveis interesses políticos e econômicos por trás das mobilizações, trabalhadores afirmam que a luta é por direitos e pelo pagamento dos salários em dia.

No meio desse conflito, quem continua sendo diretamente afetado é o usuário do transporte coletivo, que depende diariamente dos ônibus para trabalhar, estudar e se deslocar pela capital amazonense.

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