O senador Eduardo Braga, candidato à reeleição pelo MDB no Amazonas, informou à Justiça Eleitoral possuir 9.800 ações da JBS N.V., com valor declarado de R$ 749.980,77. Os papéis correspondem a BDRs da empresa negociados na B3 pelo código JBSS32.
O investimento aparece na declaração patrimonial apresentada pelo senador para as eleições de 2026. A JBS integra a J&F Investimentos, grupo controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, e mantém negócios no Amazonas por meio da Âmbar Energia.

A participação financeira ocorre enquanto Braga tem atuação em matérias relacionadas ao setor elétrico. Entre as atividades do parlamentar estão a relatoria da Medida Provisória 1.304/2025 e a participação na tramitação do PL 576/2021, que trata da exploração de energia eólica em alto-mar.
O senador também já se manifestou sobre o custo da energia elétrica em Manaus. Em agosto, afirmou que a tarifa teve redução neste ano após a aprovação de uma proposta de sua autoria.
O patrimônio declarado por Braga também já chamou atenção em eleições anteriores. Em 2018, o senador informou à Justiça Eleitoral possuir R$ 31,6 milhões em bens e ficou na quarta posição entre os senadores com maior patrimônio, segundo levantamento divulgado na época. Em 2019, outro levantamento o colocou como o sétimo parlamentar mais rico do país e o primeiro da Região Norte.
A declaração das ações da JBS não configura, isoladamente, uma irregularidade. O valor informado pelo candidato para os papéis também não necessariamente corresponde ao preço atual de negociação dos ativos.
Para determinar se existe eventual conflito de interesses, seria necessário avaliar as regras aplicáveis e as circunstâncias específicas das decisões e votações em que o senador tenha participado envolvendo o setor elétrico.