Manaus – Depois de dias encoberta pela fumaça das queimadas, a capital amazonense registrou melhora na qualidade do ar nesta quinta-feira (22). As chuvas que atingiram a cidade desde quarta-feira (21) trouxeram alívio à população, enquanto o Amazonas apresentou redução de 55,7% nos focos de calor na comparação entre dois períodos de outubro.
Segundo levantamento divulgado com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os registros passaram de 1.372, entre 1º e 11 de outubro, para 608, entre os dias 11 e 21. São 764 detecções a menos nos intervalos informados. Apesar da queda, os números mostram que o fogo continua presente no estado e exige a manutenção das operações de combate.
Por volta das 7h desta quinta-feira, sensores do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontavam concentrações de material particulado fino entre 11,5 e 32,7 microgramas por metro cúbico (µg/m³) em Manaus.
Na classificação apresentada pela plataforma naquele momento, bairros como Chapada, Aparecida, Aleixo, Petrópolis e Morro da Liberdade registravam qualidade do ar considerada boa. Outros pontos, incluindo o Coroado e áreas próximas ao Distrito Industrial, permaneciam na faixa moderada. Os resultados representam as condições dos locais monitorados no horário da consulta e podem mudar ao longo do dia.
A melhora sucede um período de forte deterioração ambiental. Na noite de 8 de outubro, por exemplo, uma medição divulgada pela Defesa Civil de Manaus chegou a registrar concentração de partículas de 200 µg/m³. O episódio evidencia a intensidade da poluição enfrentada pela população durante a crise de fumaça.
O balanço operacional também mostra a dimensão do enfrentamento aos incêndios. Entre 1º de junho e 20 de outubro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas contabilizou 3.789 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais. Conforme os números divulgados, a corporação atuou no combate a 23.527 focos, sendo 4.708 na capital e 18.819 no interior.
Esses dados operacionais devem ser diferenciados dos focos de calor identificados por satélite. Uma detecção de calor não corresponde necessariamente a um incêndio distinto, nem informa, isoladamente, a extensão da área queimada. Essa diferença é essencial para interpretar os balanços sem confundir ocorrências atendidas com registros de monitoramento ambiental.
As ações de enfrentamento incluem combate em campo, fiscalização e reforço das equipes. A força-tarefa atua nos 36 municípios com maior incidência de queimadas, e o Corpo de Bombeiros iniciou a capacitação de 50 militares da Marinha para apoiar os trabalhos nas áreas mais críticas.
Embora as chuvas tenham trazido alívio, a melhora observada nesta quinta-feira ainda exige acompanhamento. O monitoramento contínuo da qualidade do ar e das detecções de fogo permanece fundamental para orientar a resposta das autoridades e informar a população sobre mudanças nas condições ambientais.