Boletim aponta impactos da seca em todo o estado; Parintins e São Sebastião do Uatumã também registraram qualidade do ar considerada péssima.
A estiagem já atingiu 124.221 famílias no Amazonas, segundo dados da Defesa Civil divulgados nesta segunda-feira (26). Dos 62 municípios do estado, 46 estão em situação de emergência, 12 em alerta e quatro em atenção.
As informações constam no boletim do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais do Governo do Amazonas, que acompanha os efeitos da seca, dos incêndios e da poluição do ar.
Além do avanço da estiagem, o levantamento aponta preocupação com a qualidade do ar. Na manhã de segunda-feira, os sensores registraram nível moderado em 24 municípios e ruim ou muito ruim em outros 11. Parintins e São Sebastião do Uatumã apresentaram nível péssimo, a classificação mais grave entre as registradas no boletim.

Na atualização divulgada, ainda não havia sido enviado alerta severo pela Defesa Civil para esses dois municípios. As condições são reavaliadas periodicamente pelas equipes de monitoramento.
Em Manaus, os aeroportos registraram visibilidade igual ou superior a dez quilômetros e ausência de fumaça no momento da avaliação.
Municípios em emergência
Estão em situação de emergência: Alvarães, Amaturá, Anamã, Anori, Apuí, Atalaia do Norte, Autazes, Barreirinha, Benjamin Constant, Boca do Acre, Borba, Caapiranga, Carauari, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Eirunepé, Envira, Humaitá, Ipixuna, Itamarati, Japurá, Juruá, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaquiri, Manicoré, Maraã, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Pauini, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Silves, Tapauá, Tefé, Tonantins, Uarini e Urucurituba.

Em alerta estão Barcelos, Beruri, Boa Vista do Ramos, Canutama, Fonte Boa, Guajará, Manaus, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, São Sebastião do Uatumã, Tabatinga e Urucará.
Já Codajás, Iranduba, Itacoatiara e Itapiranga permanecem em situação de atenção.
Combate aos incêndios
Segundo o Governo do Amazonas, cerca de 1.500 servidores, entre bombeiros militares e brigadistas, atuam nas ações de enfrentamento às queimadas e aos efeitos da estiagem, em articulação com o Governo Federal.

A estrutura conta com 18 aeronaves, sendo 16 federais e duas estaduais. São oito aviões Air Tractor, dois KC-390 e oito helicópteros.
Entre as medidas anunciadas estão a contratação de mais 153 brigadistas florestais pelo programa Floresta em Pé e a entrega de viaturas, picapes equipadas com kits de combate a incêndio e equipamentos multimissão.
De 1º de junho a 25 de outubro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) registrou 3.878 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais. No mesmo período, a corporação informou ter combatido 24.266 focos de incêndio, sendo 4.728 na capital e 19.538 no interior.
Fiscalização e medidas de emergência
A Operação Tamoiotatá atua na fiscalização ambiental em 13 municípios. Já a Amazonas+Verde desenvolve ações de combate a incêndios em 33 municípios.
A Operação Alerta Fogo fiscaliza o uso ilegal do fogo com apoio de drones e viaturas equipadas com conexão à internet por satélite. As infrações identificadas podem resultar em multas e embargos.

Como medida preventiva, o estado estabeleceu a proibição do uso do fogo por 120 dias em todo o Amazonas, respeitadas as exceções previstas em lei. Também foram decretadas situações de emergência por 180 dias em áreas afetadas por incêndios florestais e em todo o território estadual devido à estiagem.
O trabalho inclui monitoramento por imagens de satélite, realizado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). Os dados orientam as fiscalizações e ajudam a identificar possíveis infrações ambientais.
Segundo o governo, atividades de educação ambiental também alcançaram mais de 43 mil pessoas entre junho e agosto de 2026.
