O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), ganhou nesta sexta-feira (5) um aliado nacional cercado de controvérsias políticas. O ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi, que deixou o cargo após o escândalo envolvendo o INSS, afirmou publicamente que o chefe do Executivo municipal será o candidato do grupo ao Governo do Amazonas, reforçando rumores que já circulam nos bastidores políticos.
A declaração ocorreu durante evento de filiação partidária no auditório Belarmino Lins, na Assembleia Legislativa do Amazonas, ao lado do secretário municipal de Limpeza Urbana, Sabá Reis. Sem rodeios, Lupi cravou:
“O David será governador do Amazonas. David será nosso candidato ao Governo em 2026.”
A fala acabou antecipando um movimento que o próprio prefeito vinha evitando confirmar publicamente.

O anúncio de Lupi colocou pressão sobre o discurso oficial de David Almeida, que até então negava intenção de disputar o Governo do Estado. Nos bastidores, porém, aliados já articulam uma possível candidatura, indicando mudança no cenário político local.
Recentemente, o prefeito também foi alvo de críticas após se afastar do compromisso de apoiar o senador Omar Aziz (PSD), gesto interpretado por adversários como tentativa de ampliar influência política para além da Prefeitura de Manaus.
Com o aval de lideranças nacionais e apoio de aliados como Sabá Reis e o vice-prefeito Renato Júnior, o grupo político do prefeito intensifica articulações mirando as eleições de outubro de 2026.
Apesar da movimentação antecipada, David Almeida enfrenta um desafio relevante: a rejeição do eleitorado. Levantamentos recentes indicam índices médios superiores a 30%, colocando o prefeito entre os nomes mais rejeitados entre os possíveis pré-candidatos ao Governo, ao lado de figuras como Omar Aziz, Maria do Carmo, Alberto Neto e Tadeu de Souza.
Analistas avaliam que esse cenário pode pesar na construção de uma candidatura estadual competitiva.

Carlos Lupi, primeiro nome de projeção nacional a declarar apoio ao prefeito, carrega histórico marcado por controvérsias políticas. Ele estava à frente do Ministério da Previdência quando vieram à tona denúncias envolvendo irregularidades no INSS, episódio que culminou em sua saída do cargo.
Lupi também já havia enfrentado acusações em gestões anteriores, como questionamentos sobre viagens em aeronave privada e suspeitas relacionadas a convênios com ONGs — casos que ganharam repercussão política à época, embora alguns tenham sido arquivados pela Justiça.
Presidente licenciado do PDT desde 2024, Lupi foi ministro do Trabalho nos governos Lula e Dilma e continua sendo figura influente dentro da legenda.