Manacapuru (AM) – Um caso estarrecedor de possível tráfico de recém-nascido mobilizou as forças de segurança do município de Manacapuru, interior do Amazonas, na manhã da última terça-feira (9). Um casal homoafetivo, vindo do estado de São Paulo, foi preso em flagrante dentro do Hospital Lázaro Reis, suspeito de tentar adquirir ilegalmente um bebê por apenas R$ 500.
A ação foi conduzida por agentes da Polícia Civil do Amazonas, com apoio da Polícia Militar e do Conselho Tutelar local, após uma denúncia anônima indicar a negociação de uma criança nos arredores da unidade de saúde.
Segundo a Polícia, os suspeitos, identificados como Wesley Lourenço e Luiz Armando dos Santos, viajaram de São Paulo até o interior amazonense com o objetivo de levar a criança para fora do estado. A intermediação da suposta “compra” foi feita por José Uberlan Pinheiro, de 47 anos, conhecido como “Sabão”, morador do bairro Novo Manacá, em Manacapuru.
Conforme apurado, José teria recebido R$ 500 para organizar a entrega do bebê. Um dos homens do casal chegou a se passar pelo pai da criança, acompanhando inclusive o parto, numa tentativa de dar aparência legal ao registro da criança.
Contudo, a tentativa de fraude foi rapidamente identificada pelas autoridades. Equipes da Polícia Civil e do Conselho Tutelar se dirigiram ao hospital e constataram diversas irregularidades, interrompendo o processo e efetuando as prisões no local.
Os três envolvidos foram levados à 1ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Manacapuru, onde foram autuados em flagrante por tráfico de pessoas, crime previsto no artigo 149-A do Código Penal Brasileiro. A pena pode variar de 4 a 8 anos de reclusão, podendo ser agravada em casos que envolvam crianças ou recém-nascidos.
O bebê permanece sob cuidados médicos no hospital, e o Conselho Tutelar acompanha o caso para garantir a proteção integral da criança, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A mãe biológica também está sendo ouvida pelas autoridades, que apuram se houve consentimento, coação ou participação no esquema.
O inquérito policial está em fase de conclusão, e o caso será encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário. As autoridades seguem investigando se há outras pessoas envolvidas na tentativa de adoção ilegal ou se o trio integra alguma rede criminosa de tráfico humano.