Política – O fim de semana foi de tensão máxima nos bastidores da Prefeitura de Manaus. Aliados relatam que o prefeito David Almeida (Avante) teria mobilizado a estrutura jurídica do município numa tentativa de reverter a prisão da assessora pessoal, Anabela Cardoso Freitas, detida na Operação Erga Omnes sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho (CV) e de facilitar a infiltração do grupo na máquina pública.

Fontes ligadas ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) afirmam que houve sondagens junto ao Judiciário, mas a estratégia não prosperou. Em audiência de custódia, a Justiça manteve a prisão da assessora, considerada peça de confiança do prefeito há anos.
Anabela integra o círculo político de David desde 2017, quando ele ainda era deputado estadual e presidiu a Assembleia Legislativa. Passou por funções estratégicas, incluindo coordenação de programas institucionais e, posteriormente, já na prefeitura, assumiu postos sensíveis como chefia ligada a processos administrativos e licitações — área que concentra contratos milionários e decisões cruciais sobre fornecedores.
Além disso, exercia influência direta na agenda do prefeito, o que ampliava seu acesso a informações reservadas e articulações políticas.
Após a prisão, vieram à tona informações sobre movimentações financeiras que estariam sob análise da investigação. Relatórios preliminares apontam transferências que somariam cerca de R$ 1,5 milhão, valores que teriam como destino pessoas ou empresas sob suspeita de ligação com o crime organizado. A defesa nega irregularidades, mas o caso amplia o desgaste político.

Nos bastidores, aliados avaliam que o maior receio no núcleo político seria uma eventual colaboração premiada. Caso a assessora opte por delatar, informações internas poderiam atingir diretamente o alto escalão do Executivo municipal.
O caso explode em um momento politicamente sensível: David Almeida articula movimentos para anunciar pré-candidatura ao Governo do Amazonas. Uma ampliação das investigações ou eventual inclusão de familiares no radar policial poderia comprometer seriamente o projeto eleitoral.
No fim de semana, o jornalista Ronaldo Tiradentes afirmou que parentes do prefeito — como a irmã, a sogra e a primeira-dama — poderiam ser citados nas apurações. Não há, até o momento, confirmação oficial de indiciamentos, mas o ambiente político já é de forte turbulência.

Outro ponto que ganhou força após a Operação Erga Omnes é a possível reavaliação dos ataques registrados em Manaus em junho de 2021, quando ônibus foram incendiados, prédios públicos depredados e a cidade viveu dias de caos. À época, surgiram rumores sobre supostos acordos entre agentes públicos e facções — hipótese negada pelo prefeito.
Com as novas revelações, investigadores avaliam se há conexões ainda não esclarecidas entre episódios passados e o atual inquérito.
A crise também abre debate sobre governabilidade. Vereadores da base já atuam para conter pedidos de convocação e possíveis CPIs na Câmara Municipal. Nos corredores, a palavra mais ouvida é “desgaste”.
A Operação Erga Omnes pode marcar não apenas um episódio policial, mas um divisor de águas no cenário político amazonense, com reflexos diretos nas eleições de 2026 e na estabilidade administrativa da capital.