Amazonas – Antes mesmo de saber que Carlos Alberto Garcia Neto, de 27 anos, havia morrido, sua família já sentia a dor transformada em imagens. Na segunda-feira (9), apenas um dia após o desaparecimento, eles receberam um vídeo que congelou o coração: Carlos sentado em um local desconhecido, cercado por pessoas cujos rostos estavam propositalmente ocultos, enquanto era interrogado. Cada gesto e cada palavra carregavam uma ameaça silenciosa, e a sensação de impotência tomou conta de todos.
O jovem havia saído de Manaus no domingo (8) rumo ao interior do Amazonas. Hospedou-se em um hotel, mas desapareceu durante o dia, deixando documentos e objetos pessoais para trás sinais de que algo havia dado errado. Sem comunicação, a família mergulhou em uma angústia que só crescia a cada hora.
O desfecho trágico veio na quarta-feira (11). Um pescador encontrou o corpo de Carlos boiando nas águas do Bucuará, na zona rural de Coari. As roupas que vestia permitiram o reconhecimento preliminar. Para os parentes, a esperança se transformou em luto imediato, e a dor se misturou à revolta diante do mistério que cerca a morte do jovem.
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) investiga agora a origem e autenticidade do vídeo, tentando estabelecer se o interrogatório registrado tem relação direta com o assassinato. A linha de investigação mais forte aponta para execução, possivelmente após algum tipo de julgamento clandestino ou coercitivo, levantando questões sombrias sobre violência e impunidade na região.
O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para perícia. Até o momento, não há suspeitos identificados, nem prisões, e a investigação segue cercada de silêncio e mistério. O caso deixa não apenas uma família devastada, mas toda a comunidade inquieta, em busca de respostas que ainda parecem distantes.