Justiça dá 48 horas para advogado apagar postagens sobre Benício; frase “eu não m4tei Benício” é considerada sensacionalista e alvo de decisão judicial; entenda

 MANAUS – A Justiça do Amazonas deu um duro recado ao advogado Sérgio Ricardo de Figueiredo Menezes, defensor da médica Juliana Brasil, ré pela morte do menino Benício Xavier, e determinou a retirada imediata de publicações consideradas abusivas nas redes sociais. A decisão, assinada na última terça-feira (14), obriga o criminalista a remover, em até 48 horas, a foto da criança e a frase “eu não matei Benício”, sob pena de multa diária de R$ 2 mil, podendo chegar a R$ 20 mil.

A medida foi tomada após os pais de Benício, Bruno Mello e Joyce Xavier, recorrerem à Justiça revoltados com o uso da imagem do filho morto para divulgar conteúdos nas redes sociais. Eles alegaram que nunca autorizaram a utilização da fotografia da criança e classificaram a exposição como uma afronta à memória do menino e ao sofrimento da família.

Ao analisar o caso, o magistrado reconheceu que os pais têm respaldo na legislação brasileira para impedir o uso da imagem de um familiar falecido. Segundo a decisão, o advogado poderia exercer plenamente o direito de defesa de sua cliente sem explorar a fotografia da vítima, tornando a publicação desnecessária e ofensiva.

O juiz também fez uma distinção importante sobre o conteúdo das postagens. Para ele, a expressão “caso Benício” pode ser utilizada por se tratar de um episódio amplamente conhecido pela sociedade. No entanto, a frase “eu não matei Benício” foi considerada apelativa, sensacionalista e capaz de causar ainda mais dor aos pais, atingindo diretamente a honra da família em um momento de profundo luto.

Na decisão, o magistrado afirmou que o título utilizado pelo advogado “beira o sensacionalismo” e demonstra claro objetivo de chamar atenção nas redes sociais às custas de uma tragédia que abalou o Amazonas.

Caso o conteúdo não possa ser editado para retirar apenas a imagem e a frase, a publicação deverá ser apagada por completo. A Justiça ainda determinou que, se o mesmo material voltar a ser publicado, as plataformas digitais poderão ser acionadas para removê-lo imediatamente, sem necessidade de uma nova ação judicial.

Relembre o caso

Benício Xavier morreu em 23 de novembro de 2025, após receber uma aplicação intravenosa de adrenalina durante atendimento hospitalar em Manaus. De acordo com as investigações, tanto a dosagem quanto a via de administração do medicamento eram incompatíveis com o estado clínico da criança. O erro provocou sucessivas paradas cardíacas, e o menino não resistiu.

O caso gerou enorme comoção no Amazonas e segue sendo acompanhado de perto pela sociedade, enquanto a família busca responsabilização pela morte do filho.

 

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