Manaus – O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) suspendeu a prisão domiciliar concedida a Meirilany Silva da Silva, de 21 anos, e determinou o retorno da investigada ao sistema prisional. A decisão liminar foi assinada neste domingo (26) pelo desembargador Flávio Humberto Pascarelli Lopes, que acolheu recurso apresentado pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM).
Meirilany foi presa durante a operação policial que resultou na morte do investigador Luciano Carvalho de Sena, do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc). O policial foi baleado durante a ação que tinha como alvo um grupo suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas em Manaus.
Na decisão, o desembargador destacou a gravidade dos fatos investigados e afirmou que a condição de gestante, por si só, não é suficiente para justificar a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar diante das circunstâncias do caso. Segundo ele, a ocorrência envolve uma suposta organização criminosa ligada ao tráfico de drogas e um episódio que culminou na morte de um agente de segurança pública durante o cumprimento de uma operação policial.
Outro ponto considerado pela Justiça foi a falta de documentos médicos que comprovassem que a gravidez da investigada é de alto risco ou que exigisse cuidados incompatíveis com o ambiente prisional. Para o magistrado, não foram apresentados elementos técnicos capazes de demonstrar a necessidade da prisão domiciliar por razões de saúde.
O Ministério Público também argumentou que a operação resultou em uma das maiores apreensões de drogas registradas recentemente no estado. Durante a ação, foram encontrados aproximadamente 862,6 quilos de maconha e 11,2 quilos de cocaína, além de munições, coletes balísticos, máquina de contar dinheiro e diversos materiais utilizados, segundo as investigações, na estrutura operacional do tráfico.
De acordo com o MPAM, as investigações apontam que a jovem possui fortes vínculos com uma organização criminosa que atuava no Amazonas. Para a Promotoria, a grande quantidade de entorpecentes apreendida, somada à morte do investigador Luciano Carvalho de Sena durante a operação, reforça a necessidade da manutenção da prisão preventiva para garantir a ordem pública e o andamento das investigações.
Com a decisão liminar, a prisão domiciliar foi imediatamente suspensa e a investigada permanecerá presa até nova deliberação da Justiça. O mérito do recurso ainda será analisado pelo colegiado do TJAM, que decidirá de forma definitiva sobre a manutenção da medida cautelar.
A morte do investigador Luciano Carvalho de Sena gerou forte repercussão entre as forças de segurança do Amazonas e intensificou as investigações sobre a atuação da organização criminosa alvo da operação.