AMAZONAS – Em 2024, o caso das “obras fantasmas” no Alto Solimões completa 16 anos sem julgamento definitivo dos denunciados. O processo, que envolve o ex-prefeito de Santo Antônio do Içá, Antunes Bittar Ruas, e outros servidores públicos, continua sem desfecho, apesar das graves acusações e do rombo de mais de R$ 17 milhões nos cofres públicos.
Antunes Ruas, que na época era prefeito de Santo Antônio do Içá e presidente do Consórcio Intermunicipal da Mesorregião do Alto Solimões (Conaltosol), é o principal réu no processo movido pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM). Juntamente com o ex-prefeito de Atalaia do Norte, Rosário Conte Galante Neto, e três fiscais da Secretaria Estadual de Infraestrutura (Seinfra), Ruas foi acusado de improbidade administrativa por obras que nunca saíram do papel. As obras que deveriam ter sido realizadas incluíam melhorias no sistema viário de comunidades rurais e reformas na sede do município, mas, conforme constatou uma inspeção do MPAM em janeiro de 2008, nenhuma dessas obras foi executada.
Em março de 2017, o TCE-AM condenou Antunes Ruas, Rosário Conte e os três fiscais da SEINFRA a devolverem R$ 6.221.336,79 aos cofres do Estado. Apesar da condenação, o processo ainda não teve um desfecho judicial, prolongando o sentimento de impunidade e a falta de respostas para a população.
Enquanto o processo se arrasta na justiça, Antunes Ruas continua a tentar retomar o poder em Santo Antônio do Içá. Figura política influente, ele tem disputado as eleições municipais ao longo dos anos, agora firmando novas alianças, inclusive com antigos adversários como Abraão Lasmar, ex-prefeito do município. A nova parceria entre Ruas e Lasmar, anunciada no último sábado (3), é vista como uma tentativa de ambos os políticos de consolidar suas forças e assegurar o controle político do município.
Apesar das acusações graves e da condenação pelo TCE-AM, a falta de julgamento final no caso das obras fantasmas do Alto Solimões continua a levantar questionamentos sobre a eficácia do sistema judicial em casos de corrupção e improbidade administrativa. O processo, que se arrasta por mais de uma década, ainda não trouxe justiça ou responsabilização para os envolvidos. A reportagem não conseguiu localizar Antunes Ruas, Rosário Conte ou os demais envolvidos para comentários.
O caso permanece um símbolo da persistente impunidade que marca muitos escândalos de corrupção no Brasil, deixando a população de Santo Antônio do Içá e de toda a região do Alto Solimões sem respostas e com pouca esperança de justiça.
