Operação Xeque-Mate: PF prende advogados ligados a “Alan Índio”, líder do Comando Vermelho no Amazonas

Manaus – A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (6), uma nova fase da Operação Xeque-Mate, que mira a estrutura jurídica e financeira do Comando Vermelho (CV) no Amazonas. Quatro advogados foram presos em Manaus suspeitos de atuar como mensageiros e operadores legais de Alan Sérgio Martins Batista, conhecido como “Alan Índio”, apontado como principal chefe da facção no estado e um dos criminosos mais procurados da região Norte.

De acordo com as investigações, os advogados funcionavam como um elo direto de comunicação entre Alan Índio e o interior do sistema prisional, transmitindo ordens, instruções e informações sobre movimentações de dinheiro e tráfico. Eles também levavam bilhetes cifrados e orientações estratégicas aos integrantes do grupo que atuam em áreas dominadas pelo CV em Manaus e no interior do Amazonas.

Advogados agiam sob disfarce de atendimentos legais

Segundo a PF, os suspeitos aproveitavam o acesso privilegiado aos presídios para introduzir e retirar mensagens ilegais. Em muitos casos, as comunicações eram disfarçadas como documentos jurídicos, dificultando a identificação pelas autoridades penitenciárias.
As apurações apontam ainda que Alan Índio, mesmo foragido, mantém controle sobre o tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro, utilizando os advogados como intermediários e conselheiros.

O líder criminoso estaria escondido em uma comunidade do Rio de Janeiro, protegido por integrantes da mesma facção, e teria passado por cirurgias plásticas e alterações faciais para dificultar seu reconhecimento. Documentos falsos e identidades múltiplas também são usados para driblar a ação policial.

Esquema milionário e internacional

A Operação Xeque-Mate revelou uma estrutura sofisticada de lavagem de dinheiro e tráfico internacional comandada por Alan Índio. O grupo movimentava centenas de milhões de reais por meio de empresas de fachada, laranjas e uma fintech chamada “Carto”, utilizada para simular transações legais e ocultar lucros ilícitos.
Além disso, a organização usava criptomoedas para receber pagamentos de drogas enviadas por traficantes colombianos, o que dificultava o rastreamento do dinheiro.

Líder nacional e histórico criminal

Alan Índio faz parte do Conselho do CV, formado pelos 13 principais líderes da facção no país. Ele já havia sido preso em 2017, acusado de envolvimento no tráfico de armas e drogas, mas foi solto após um período de reclusão. Desde então, intensificou o controle sobre o crime organizado no Amazonas e expandiu a atuação do grupo em outros estados da Região Norte.

Na primeira fase da Operação Xeque-Mate, deflagrada em outubro, a PF bloqueou cerca de R$ 122 milhões em bens e prendeu a esposa de Alan Índio, apontada como responsável pelo núcleo financeiro da facção.

As novas prisões representam, segundo a PF, um golpe estratégico contra o comando jurídico e logístico do Comando Vermelho no Amazonas. As investigações continuam para identificar outros profissionais e empresários que possam ter colaborado com o esquema criminoso.

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