Manaus (AM) – Uma grande operação integrada realizada nas primeiras horas desta segunda-feira (29) mobilizou cerca de 150 policiais militares, além de equipes do Ministério Público do Amazonas (MPAM) e da Polícia Civil, resultando na prisão de diversos agentes envolvidos em uma organização criminosa que atuava dentro das forças de segurança. A ação foi coordenada pelo promotor de Justiça Armando Gurgel Granjeiro e contou com o apoio direto do comandante-geral da Polícia Militar, Cel. Coronel Klinger Paiva, e do delegado-geral de Polícia Civil, Bruno Fraga.
Durante entrevista coletiva, o promotor Armando Gurgel agradeceu a colaboração irrestrita das instituições:
“A atuação do Ministério Público não seria possível sem o apoio firme e contínuo da Polícia Militar e da Polícia Civil. A operação de hoje é resultado de meses de investigação minuciosa. Agradeço ao Dr. Bruno Fraga, delegado-geral, e ao Dr. Plínio, que também colaborou ativamente em casos anteriores, como o da indígena estuprada em Santo Antônio, cujos autores foram rapidamente apresentados pela Polícia Militar.”
A operação prendeu policiais militares suspeitos de envolvimento em crimes como sequestro, extorsão mediante sequestro, roubo qualificado, abuso de autoridade e organização criminosa armada. Foram apreendidas diversas armas de fogo, munições, coletes balísticos, rádios comunicadores, e outros materiais táticos que estavam em posse dos investigados.

Modus operandi violento e sofisticado
As investigações começaram após um caso ocorrido em 14 de fevereiro de 2025, quando uma vítima foi sequestrada em plena luz do dia por homens encapuzados, usando balaclavas e armamento pesado, em um trecho da rua Professor Manoel Belém, bairro Novo Aleixo. A abordagem foi gravada por populares e divulgada amplamente nas redes sociais e na imprensa local.
Segundo o promotor Gurgel:
“Os criminosos usaram três veículos – um Corolla, uma S10 branca e um Onix branco. A vítima foi retirada de forma violenta, com a janela do carro quebrada, e desapareceu por horas, até ser libertada no bairro Santa Etelvina pela ROCAM.”
Além desse caso, a mesma vítima já havia sido alvo de outras tentativas de sequestro por parte do mesmo grupo. Investigações posteriores revelaram que os agentes usavam a estrutura da Polícia para fins criminosos, chegando a extorquir valores que ultrapassam R$ 300 mil, além do roubo de joias, armas e outros bens.

Ações administrativas e sanções
O diretor de Justiça e Disciplina da Polícia Militar, Coronel Corrêa Júnior, afirmou que a corporação já iniciou os trâmites para abertura de processo administrativo disciplinar (PAD) demissionário contra os envolvidos:
“A partir da decretação da prisão preventiva, o Ministério Público deve encaminhar os documentos cabíveis, dentro do que não estiver em segredo de justiça. Nós iremos apurar as transgressões ao nosso Código de Ética e aplicar as sanções cabíveis. A depender da gravidade dos fatos, o procedimento pode culminar na demissão a bem da disciplina.”
Ele também reforçou que os policiais investigados não representam a instituição:
“Esses indivíduos não representam os mais de 8.500 homens e mulheres da Polícia Militar que diariamente cumprem seu juramento de proteger e servir. A corporação não compactua com crimes e atua com transparência ao lado do Ministério Público e da Polícia Civil.”
Investigação em andamento e novos alvos
As investigações ainda estão em curso e visam identificar outros possíveis membros da organização criminosa, bem como localizar os valores desviados. Segundo o MP, parte do dinheiro foi recuperado, mas ainda há bens e ativos em investigação.
A promotoria também apura o destino do material bélico e dos bens roubados. Um dos casos investigados envolve a subtração de R$ 200 mil em espécie, além de três armas de fogo e joias de alto valor. Há indícios de que os lucros eram divididos entre os integrantes do grupo, o que caracteriza um esquema bem estruturado de atuação ilícita dentro das forças de segurança.