Manaus – Uma forte chuva que atingiu Manaus nesta terça-feira (3) voltou a expor a fragilidade da infraestrutura urbana da capital amazonense e levantou novas críticas à gestão do prefeito David Almeida, que frequentemente afirma que a cidade é referência em mobilidade e urbanismo na região Norte. Vídeos gravados por passageiros e divulgados nas redes sociais mostram o Terminal 4, localizado no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste, parcialmente alagado, com água invadindo áreas de circulação e colocando em risco a segurança de quem aguardava os coletivos.
As imagens rapidamente repercutiram entre usuários do transporte público e reacenderam questionamentos sobre a eficiência do sistema de drenagem e sobre a distância entre o discurso oficial e a realidade enfrentada diariamente pela população. Enquanto a prefeitura destaca avanços estruturais e investimentos em mobilidade, episódios como o alagamento do terminal reforçam críticas de que obras essenciais seguem inacabadas ou sem manutenção adequada.
O Terminal 4 é um dos principais polos de integração do transporte coletivo de Manaus, concentrando cerca de 30 linhas de ônibus e atendendo aproximadamente 30 mil passageiros por dia. A estrutura é fundamental para a ligação entre as Zonas Norte e Leste, regiões densamente povoadas. Durante o alagamento, usuários relataram atrasos, dificuldade de embarque, risco de quedas e falta de organização no fluxo de passageiros.
Em março do ano passado, a administração municipal anunciou uma reforma no espaço como parte de um pacote de melhorias no transporte público. No entanto, até agora, a obra não foi concluída nem entregue, o que tem gerado cobranças de moradores e trabalhadores que utilizam o terminal diariamente. Para críticos da atual gestão, a situação evidencia falhas no planejamento e na execução das intervenções prometidas, contrastando com o discurso de que Manaus estaria preparada para enfrentar eventos climáticos intensos.
Especialistas também apontam que o problema vai além da estrutura do terminal, envolvendo drenagem urbana insuficiente, crescimento desordenado e falta de políticas contínuas de manutenção preventiva. Até a publicação desta matéria, a prefeitura não havia divulgado um novo prazo para a finalização das obras nem detalhado medidas emergenciais para evitar novos alagamentos no local.