Parintins (AM) – A aula inaugural do primeiro curso de Medicina da região do Baixo Amazonas, oferecido pela Faculdade Santa Teresa (FST), que integra o Grupo Fametro, movimentou autoridades, lideranças políticas e a população de Parintins nesta semana. O marco representa não apenas um avanço na educação, mas também a promessa de mais saúde, empregos e novas oportunidades para a população da ilha.
Na sexta-feira (29), a reitora do grupo e mantenedora da FST, doutora Maria do Carmo Seffair, celebrou a conquista.
“Meu coração é só alegria e gratidão por saber que nós estamos realizando o sonho de tanta gente, e mais, levando educação, saúde e oportunidade para o interior do Amazonas”, afirmou.
A implantação do curso enfrentou desafios, como a complexa tramitação burocrática e as rigorosas exigências do Ministério da Educação (MEC), além de elevados investimentos. “Com fé e determinação, temos persistido em nosso compromisso: transformar a vida das pessoas por meio da educação. Hoje, após 23 anos, é motivo de orgulho ter a certeza de que cumprimos nossa missão”, destacou Maria do Carmo.
A primeira turma conta com 21 acadêmicos e oito professores, em um programa que prevê oito semestres de estudos teóricos e práticos, além de dois anos de internato médico.
Repercussão política e institucional
O curso de Medicina em Parintins surge em sintonia com demandas antigas da região, que enfrenta déficit histórico de médicos e especialistas. A iniciativa é vista como uma resposta complementar às políticas públicas de interiorização da saúde e da educação superior, apoiadas por parlamentares e gestores locais.
Autoridades estaduais e municipais presentes ressaltaram que a formação de médicos dentro da própria região contribui para fixar profissionais no interior, reduzindo a dependência de Manaus e de outros centros urbanos. Parlamentares da bancada amazonense também destacaram a importância de ampliar incentivos federais, como o Fies e o ProUni, para garantir acesso ao curso por estudantes de baixa renda.
Para o Governo do Amazonas, a chegada da faculdade de Medicina é estratégica, pois fortalece a rede hospitalar regional e alivia a sobrecarga dos hospitais da capital. A Prefeitura de Parintins, por sua vez, ressaltou a parceria com a FST e anunciou que pretende ampliar investimentos em estágios, convênios com unidades de saúde e programas de residência médica no futuro.
Expectativa para o futuro
A reitora enfatizou que o impacto do curso vai além da sala de aula:
“O sucesso da Fametro não é só nosso, é de todos os amazonenses que junto conosco têm gerado emprego e mudado a vida das pessoas com ensino de qualidade. Daqui a alguns anos, estaremos entregando o diploma dos primeiros médicos e médicas formados na ilha tupinambarana.”
A criação do curso é considerada um marco no processo de descentralização do ensino superior de qualidade, um dos principais desafios políticos do Amazonas, estado de dimensões continentais onde muitas comunidades ainda sofrem com a falta de serviços básicos.