A vereadora Professora Angela (PSOL), de Curitiba, está no centro de uma grave polêmica que ameaça seu mandato na Câmara Municipal. O episódio ocorreu em 5 de agosto de 2025, durante uma audiência pública sobre políticas de saúde, quando a parlamentar distribuiu uma cartilha polêmica que fazia referência ao uso de drogas ilícitas, como maconha, LSD e cocaína.
O material, produzido com recursos próprios da vereadora, foi interpretado por opositores como apologia às drogas e incentivo ao consumo de substâncias ilegais. O caso gerou forte repercussão entre parlamentares, especialistas e parte da população, que consideraram a atitude um ato de irresponsabilidade e uma afronta à legislação vigente.
Diante da situação, um grupo de vereadores liderado por Da Costa (União) e Bruno Secco (PMB) protocolou um pedido de cassação por quebra de decoro parlamentar. Segundo eles, a iniciativa de Angela viola princípios éticos e desrespeita as atribuições do cargo público.
A Mesa Diretora da Câmara já instaurou uma sindicância para apurar a conduta da vereadora. O processo deve ser concluído em até 30 dias, podendo resultar na perda do mandato. Caso seja cassada, Angela poderá ficar inelegível por oito anos, conforme prevê a legislação eleitoral.
O episódio também reabriu o debate sobre a descriminalização das drogas no Brasil. Entidades ligadas à saúde coletiva e à redução de danos defendem que a cartilha tinha caráter educativo e informativo, voltado para a discussão de políticas públicas mais humanas e inclusivas. Já os críticos sustentam que o material foi apresentado sem contexto adequado, passando a impressão de um incentivo direto ao consumo.
Nas redes sociais, a vereadora ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. No entanto, aliados próximos afirmam que ela pretende se defender em plenário, argumentando que seu objetivo não era promover o uso de entorpecentes, mas fomentar um debate sobre políticas alternativas à guerra às drogas, que segundo ela fracassou no combate ao tráfico e só aumentou a violência nas periferias.
A crise envolvendo a parlamentar promete intensificar os embates políticos na Câmara de Curitiba nas próximas semanas, colocando em disputa não apenas a permanência de Angela no cargo, mas também o rumo das discussões sobre drogas e políticas públicas de saúde na capital paranaense.