AMAZONAS – Uma manifestação de lideranças indígenas terminou em uma intensa discussão na frente da Coordenação Técnica Local da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em Tapauá, no interior do Amazonas, nesta semana. O protesto reuniu caciques e representantes de comunidades que cobravam providências da instituição sobre uma portaria que, segundo os manifestantes, já teria sido aprovada e assinada em 2026 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo senador Eduardo Braga.
De acordo com relatos de pessoas que participaram do ato, um grupo liderado por um casal, acompanhado por diversas lideranças indígenas, foi até a unidade da Funai para reivindicar esclarecimentos e exigir o cumprimento das medidas previstas no documento.
No entanto, a situação ganhou novos contornos quando outra liderança indígena chegou ao local apresentando documentos e fazendo graves acusações contra o casal. Segundo essa segunda liderança, os dois seriam moradores de Manaus e estariam se passando por indígenas para obter vantagens, utilizando o nome de comunidades tradicionais e até de uma instituição para fortalecer a suposta atuação.
Durante a discussão, uma das lideranças indígenas presentes solicitou a apresentação de documentos oficiais que comprovassem a origem indígena do casal que liderava as reivindicações. Segundo o documento apresentado durante o ato, a própria Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) teria informado que não havia reconhecimento de vínculo do casal como indígenas pertencentes às comunidades da região.
Ainda conforme os manifestantes, o casal teria solicitado apoio e recursos em nome da comunidade Tupinambá, porém, lideranças locais questionaram a legitimidade da representação, afirmando que o povo Tupinambá não teria território tradicional reconhecido naquela área do Amazonas. As acusações aumentaram a tensão entre os grupos, que passaram a cobrar esclarecimentos e documentos que comprovassem a atuação e a representação das pessoas envolvidas.