MANAUS (AM) – O Portal Vizinho TV teve acesso exclusivo a uma série de prints que indicam que o mercado negro da ketamina voltou a funcionar normalmente em Manaus, mesmo após toda a repercussão policial e midiática envolvendo o caso da família da ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso.

As imagens mostram que a venda da substância, conhecida no submundo como “Key” ou “vitamina”, estaria sendo anunciada abertamente nas redes sociais, com delivery ativo e divulgação diária. A situação levanta sérias dúvidas sobre a continuidade da fiscalização após as operações policiais realizadas na cidade.

O escândalo ganhou repercussão regional e nacional depois que investigações apontaram que a droga estaria sendo utilizada dentro de um grupo que alegava fazer parte de uma suposta seita espiritual. A narrativa teria sido usada para justificar o consumo da substância. O caso se tornou ainda mais grave após a morte de uma idosa ligada à família, episódio que chocou o Amazonas e trouxe à tona o uso indiscriminado da droga.
Mesmo após prisões e operações policiais, os novos registros obtidos pelo Portal Vizinho TV indicam que parte da rede de distribuição pode ter permanecido ativa, abastecendo usuários que teriam desenvolvido dependência química.
Entre os prints obtidos pela reportagem, um perfil identificado como “davi_gustav12” aparece anunciando a venda da substância de forma aparentemente aberta no Instagram.

Em uma das publicações, o suspeito aparece em frente ao Tropical Executive Hotel, na zona Oeste de Manaus, informando que “o delivery não para hoje”. A frase foi interpretada como um recado direto aos compradores da droga.
Outras imagens mostram a oferta de ampolas da substância, porém sem citar diretamente o nome ketamina. No lugar, é utilizado o código “Key”, termo comum no mercado ilegal para evitar detecção automática pelas plataformas digitais.
Segundo os registros, o mesmo perfil publica diariamente nos stories anúncios relacionados à venda e entrega das ampolas.
Outro ponto que chamou a atenção da reportagem foram mensagens com tom de ameaça divulgadas no próprio perfil.
Nos prints, o suspeito afirma que revendedores que estiverem comercializando as ampolas por valores de 100 ou 120 reais devem enviar comprovantes. A mensagem sugere que quem não seguir a regra pode deixar de receber o produto.
Na prática, a mensagem parece funcionar como uma espécie de controle de preço do mercado ilegal, indicando que a droga estaria sendo revendida por terceiros que compram diretamente do fornecedor para abastecer outros usuários.

A ketamina é um medicamento de uso estritamente hospitalar e veterinário. A substância é utilizada principalmente como anestésico em procedimentos cirúrgicos, tanto em humanos quanto em animais. Quando administrada por profissionais de saúde em ambiente controlado, ela é usada para sedação, analgesia e indução anestésica.
Fora do ambiente médico, o uso da substância pode provocar alucinações, perda de noção da realidade, falta de coordenação motora, depressão respiratória e dependência química. O consumo frequente também pode causar danos neurológicos, problemas graves no sistema urinário e até levar à morte, principalmente quando misturado com outras drogas ou bebidas alcoólicas.
Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que, após as operações policiais que atingiram integrantes do grupo ligado à família de Djidja Cardoso, diversos usuários não chegaram a ser identificados pelas autoridades.
Essas pessoas continuaram dependentes da substância e, segundo relatos, isso pode ter alimentado novamente a procura pela droga no mercado clandestino.
Diante das novas evidências obtidas pela reportagem, surge uma pergunta inevitável.
Será que as autoridades policiais já têm conhecimento dessas vendas que continuam acontecendo abertamente nas redes sociais?
Mesmo após a prisão da mãe da ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso, e de seu namorado, o que parecia ser o fim de um esquema pode não ter encerrado o problema.
Os prints obtidos pelo Portal Vizinho TV indicam que o comércio ilegal da droga pode ter apenas mudado de mãos e continua funcionando na cidade.
Enquanto isso, muitas pessoas que tiveram contato com a substância continuam enfrentando a dependência, alimentando um mercado clandestino que ainda parece longe de acabar.