MANAUS – Tomados pela revolta e pelo sentimento de injustiça, familiares, amigos e apoiadores de Carlos André de Almeida Cardoso, de apenas 19 anos, realizam nesta terça-feira (12), às 11h, uma nova manifestação em frente ao Fórum Ministro Henoch Reis, na zona sul de Manaus. O protesto acontece após a soltura de um dos envolvidos no caso e diante das denúncias de dificuldades impostas à família para ter acesso às investigações.
A morte do jovem, ocorrida após uma abordagem policial na madrugada do dia 19 de abril de 2026, continua causando forte comoção e levantando questionamentos sobre a condução do caso pelas autoridades.

Segundo a defesa da família, o cenário atual é de “abandono institucional” e tentativa de proteger os agentes públicos investigados. O caso envolve o sargento Belmiro Wellington Costa Xavier e o aluno-soldado Hudson Marcelo Vilela de Campos, apontados como participantes da ação que terminou na morte do rapaz.

A indignação aumentou após o juiz Fabio Lopes Alfaia decretar sigilo total sobre os autos do processo, alegando preservação da intimidade e da imagem dos acusados. Para os familiares, a medida impede que a própria mãe da vítima acompanhe o andamento das investigações e aprofunda o sofrimento da família, que afirma estar sendo tratada como “inimiga” dentro do processo.

Diante disso, os advogados protocolaram no dia 11 de maio uma representação junto à Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM), registrada sob o número 04.0000.2026.006284-6. A denúncia aponta cerceamento de defesa, falta de transparência e obstáculos no acesso aos elementos investigativos.

O advogado Alexandre Torres Jr. afirmou que a decisão judicial “faz tábula rasa dos direitos da vítima” e afronta princípios constitucionais básicos, como a publicidade dos atos processuais. A defesa também acusa a 60ª Promotoria de Justiça de negar acesso ao Procedimento Investigatório Criminal (PIC) instaurado pela própria mãe de Carlos André.
Além da luta judicial, familiares afirmam viver dias de medo. Segundo relatos apresentados pela defesa, pessoas próximas à vítima estariam sofrendo intimidações constantes e perseguições atribuídas a militares fardados. A família também questiona o fato de informações do caso estarem sendo repassadas seletivamente para setores da imprensa enquanto os representantes legais da vítima seguem sem acesso integral aos autos.
A defesa sustenta ainda que as restrições violam a Súmula Vinculante 14 do STF e tratados internacionais de direitos humanos, como o Protocolo de Minnesota, que garante participação efetiva dos familiares em investigações envolvendo mortes violentas.
O novo ato desta terça promete reunir dezenas de pessoas pedindo justiça por Carlos André e cobrando transparência total nas investigações. Familiares afirmam que não vão recuar até que todas as circunstâncias da morte do jovem sejam esclarecidas.