Manaus – O Ministério Público do Amazonas (MPAM) divulgou nesta terça-feira (12) imagens que escancararam o cenário encontrado dentro do antigo Núcleo Prisional da Polícia Militar (NPPM), na zona norte de Manaus. O local, que deveria servir para custódia de policiais presos, mais parecia uma área de privilégios, com frigobar abastecido, comida armazenada, televisores, celulares, micro-ondas e até ar-condicionado dentro das celas.
As imagens vieram à tona durante a segunda fase da Operação Sentinela Maior, deflagrada pelo MPAM como desdobramento da Operação Sentinela, realizada em março deste ano. Ao todo, 71 custodiados foram transferidos do antigo NPPM, localizado no bairro Monte das Oliveiras, para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM-AM).
Segundo o Ministério Público, o que foi encontrado no local causou indignação até entre os investigadores. Em uma das celas, havia geladeira abastecida com alimentos, incluindo bandejas de ovos, além de aparelhos eletrônicos proibidos, carregadores e estruturas consideradas incompatíveis com um ambiente prisional.
A transferência dos presos ocorreu após denúncias e protestos de familiares, além de fortes suspeitas de irregularidades dentro da unidade. Agora, os custodiados estão no Centro Feminino de Educação e Capacitação (Cefec), ao lado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).
De acordo com o promotor Armando Gurgel, a situação encontrada no local demonstrava total descontrole da custódia.
“Encontramos celulares lá dentro, custodiados ausentes sem justificativa e uma total falta de capacidade do local para acolher os presos. Aquele prédio jamais foi pensado para custódia de pessoas”, afirmou.
Ainda segundo o promotor, o ambiente funcionava praticamente sem fiscalização efetiva.
“A situação estava totalmente fora dos trilhos. Havia uma custódia apenas formal. Essas pessoas saíam e entravam do local a seu belo prazer”, declarou.
O MPAM informou que todos os materiais encontrados nas celas foram apreendidos durante a operação e devem passar por perícia. O caso segue sendo investigado e pode revelar novos detalhes sobre supostos privilégios concedidos aos custodiados dentro da unidade prisional militar.