Cantor amazonense denuncia agressão, censura e humilhação pública durante evento da Prefeitura de Jutaí; caso revolta população e classe artística.
O município de Jutaí, no interior do Amazonas, virou alvo de revolta após um grave episódio envolvendo agressão física, suposta censura e abuso de autoridade contra o cantor Isaque Benchimol da Silva, de 22 anos, conhecido artisticamente como Zay Benchimol.
O caso aconteceu durante a comemoração do Dia das Mães, realizada na Praça São José e organizada pela Prefeitura Municipal. Segundo relatos da defesa do artista, Zay teria sido tratado de forma agressiva ao tentar acessar o palco do evento, sendo hostilizado pela Secretária Municipal de Cultura, Meiry Jany Coelho de Oliveira.
Testemunhas afirmam que a secretária teria dado tapas no peito do cantor e atingido também o aparelho celular dele, após o jovem tentar registrar o tratamento recebido. Em seguida, o microfone do artista teria sido cortado por ordem direta da gestora, diante de dezenas de pessoas presentes no local.
A defesa do cantor Zay Benchimol passou a ser conduzida pelo advogado Alexandre Torres Jr, que afirmou ter ingressado oficialmente no caso para acompanhar as investigações e garantir que os responsáveis pelas agressões e pela suposta censura sejam responsabilizados judicialmente. Segundo o advogado, o episódio representa uma grave violação dos direitos constitucionais do artista, envolvendo abuso de autoridade, constrangimento público e tentativa de silenciamento. Alexandre Torres Jr, também informou que novas medidas judiciais deverão ser adotadas nos próximos dias, incluindo representações junto ao Ministério Público e pedidos formais para assegurar o direito de manifestação do cantor na tribuna da Câmara Municipal de Jutaí.
A situação ficou ainda mais grave quando, ao deixar a área VIP, Zay acabou sendo agredido fisicamente pelo marido da secretária, identificado apenas como Mário. Conforme a denúncia, o cantor recebeu um soco na boca, sofrendo lesão traumática e sangramento em plena praça pública, em uma cena considerada humilhante por populares que acompanhavam o evento.
O artista registrou Boletim de Ocorrência sob o nº 00143120/2026 por Lesão Corporal Dolosa (Artigo 129 do Código Penal) e realizou Exame de Corpo de Delito, que confirmou as agressões físicas sofridas.
Além da violência, o caso ganhou contornos ainda mais polêmicos após a Câmara Municipal de Jutaí impedir que o cantor utilizasse a tribuna popular para denunciar publicamente o ocorrido. A defesa de Zay classifica a medida como “mordaça institucional” e afirma que irá acionar a Justiça para garantir o direito constitucional de manifestação do artista.
Os advogados informaram que, caso o cantor seja novamente impedido de falar na sessão marcada para o próximo dia 20, será impetrado um Mandado de Segurança contra a Câmara Municipal. Representações por abuso de autoridade e improbidade administrativa também deverão ser encaminhadas ao Ministério Público do Amazonas (MPAM).
A repercussão do caso já começa a crescer nas redes sociais, onde internautas criticam a postura das autoridades municipais e cobram posicionamento da prefeita de Jutaí. Artistas da região também manifestaram solidariedade ao cantor, denunciando o que classificam como perseguição, humilhação pública e tentativa de silenciamento.
Outro ponto que gerou indignação foi a suposta omissão da Guarda Municipal e da Polícia Militar, que, segundo a denúncia, não teriam interferido no momento das agressões.
O episódio agora deve ser acompanhado pelos órgãos de fiscalização do Estado e pode gerar consequências judiciais e políticas para os envolvidos.