Manaus entra em alerta para falta de água com risco de classe crítica até 2040

Manaus poderá entrar em uma situação considerada “crítica” em relação à segurança hídrica até 2040, segundo projeções da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) apresentadas em um estudo da consultoria GO Associados. A análise aponta que a capital amazonense enfrenta um cenário de risco provocado pela combinação entre mudanças climáticas e aumento da demanda por água.

O estudo “O desafio da segurança hídrica na região de Manaus e políticas de sustentabilidade” estima que as retiradas totais de água no município crescerão 7% até 2040. A demanda industrial deverá ser a que mais avançará, com alta projetada de 43%, enquanto o consumo para abastecimento humano deverá crescer 23%.

Em sentido contrário, a disponibilidade hídrica pode diminuir em razão de secas mais intensas e das alterações provocadas pelas mudanças climáticas.

Para a ANA, a classificação “crítica” significa que existe alta probabilidade de a quantidade de água disponível não ser suficiente para atender às necessidades projetadas. Parte menor do território de Manaus aparece na categoria “alerta”, que indica um risco intermediário de desequilíbrio entre oferta e demanda.

A projeção considera modelos climáticos associados a estimativas de crescimento populacional e expansão das atividades econômicas. Os dados também levam em consideração o Atlas da Água, publicado pela ANA em 2023.

Atualmente, aproximadamente 84% da água utilizada em Manaus é captada no Rio Negro. Os outros 16% são provenientes de reservas subterrâneas. O sistema público utiliza 50 poços, mas a cidade possui milhares de poços particulares.

A estimativa apresentada no estudo é de mais de 27 mil poços particulares em funcionamento, enquanto pouco mais de 5 mil estavam registrados formalmente até 2022.

A situação preocupa porque a expansão urbana dificulta a reposição das águas subterrâneas. Quase 70% do território de Manaus teria passado por processos de antropização, como pavimentação e construção, reduzindo a infiltração da água da chuva no solo.

O Rio Negro também está sujeito aos efeitos de eventos extremos. A seca de 2024 é citada como exemplo, quando o nível do rio chegou ao menor patamar registrado em mais de 120 anos.

Além do consumo das famílias, a segurança hídrica está diretamente relacionada à atividade econômica da cidade. A termoeletricidade aparece como a principal responsável pela demanda hídrica atual, seguida pelo abastecimento humano, pela indústria e por outras atividades.

Com a previsão de aumento do consumo industrial, uma eventual redução da disponibilidade de água poderá afetar também o funcionamento de empresas do Polo Industrial de Manaus e outras atividades que dependem dos mananciais.

O estudo também chama atenção para o impacto social do problema. Mais da metade da população da capital vive em áreas consideradas de alta vulnerabilidade social, onde deficiências de saneamento, infraestrutura e acesso à água podem aumentar os efeitos de uma eventual crise hídrica.

Com informações Agência Cenarium

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