Presidente falou sobre segurança pública, suspeitas envolvendo o Banco Master e dificuldades do governo durante entrevista à TV Globo
BRASIL – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, declarou nesta quinta-feira (15) que apoia a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos nos casos de crimes hediondos. A declaração ocorreu durante entrevista à jornalista Renata Lo Prete, na TV Globo, em meio à disputa do segundo turno das eleições presidenciais.
Apesar de defender a mudança, Lula afirmou que o assunto deve ser discutido separadamente da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Para o presidente, a prioridade é aprovar a proposta de segurança e, posteriormente, avançar no debate sobre a responsabilização penal de adolescentes.
A entrevista também foi marcada por questionamentos sobre suspeitas envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. Lula defendeu a apuração dos casos e afirmou que a discussão sobre uma reforma do Judiciário é “irreversível”.
Segundo o presidente, as suspeitas precisam ser esclarecidas, independentemente de quem seja citado. Ele também defendeu mudanças nas regras aplicadas aos integrantes da Corte, incluindo o debate sobre critérios de escolha e mandatos.
Ao comentar a participação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em uma festa organizada por Vorcaro em Londres, Lula afirmou que repreendeu o subordinado e considerou a explicação apresentada insuficiente. Apesar da cobrança, elogiou sua atuação à frente da corporação e deixou para depois das eleições uma decisão sobre sua permanência em eventual novo mandato.
Na segurança pública, o petista voltou a defender a criação de um ministério específico para a área e a ampliação dos investimentos no sistema prisional. As propostas foram apresentadas como parte de seus compromissos para um possível novo governo.
Na área econômica, Lula demonstrou preocupação com o endividamento do país, mas sustentou que o crescimento da economia é necessário para melhorar as contas públicas. Também criticou os juros elevados e defendeu medidas que preservem a renda da população mais pobre.
Questionado sobre o reajuste do Bolsa Família próximo ao primeiro turno, o presidente afirmou que desconhecia a ausência de correção do benefício e que cobrou providências de integrantes do governo.
A relação com os Estados Unidos também entrou na sabatina. Lula defendeu a negociação com Donald Trump para enfrentar os impasses comerciais e afirmou que o Brasil ampliou negócios com outros países diante da queda no comércio com os americanos.
Ao avaliar as dificuldades de sua gestão e o resultado do primeiro turno, o presidente assumiu responsabilidade pelos problemas enfrentados. Na reta final da entrevista, voltou a destacar o fim da escala 6×1 e mencionou a intenção de trabalhar pela gratuidade do transporte público aos fins de semana.