Esquema teria continuado mesmo após as primeiras prisões. Investigação já levou à condenação de um policial federal a mais de 26 anos de prisão.
AMAZONAS – Uma organização criminosa investigada por enviar drogas de Manaus para outros estados voltou a ser alvo da Polícia Federal nesta quinta-feira (29). A segunda fase da Operação Gatekeeper resultou no cumprimento de dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão na capital amazonense e em Coari, no interior do estado.
Além das prisões, a ofensiva atingiu o patrimônio dos investigados. A Justiça Federal determinou o bloqueio de ativos financeiros até o limite de R$ 31 milhões, o sequestro de oito veículos e a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de 15 pessoas físicas e jurídicas. O valor autorizado para bloqueio não significa, necessariamente, que toda essa quantia já tenha sido localizada nas contas dos alvos.
Segundo a PF, o grupo utilizava o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes como ponto de partida para o transporte interestadual de entorpecentes. Nesta etapa, os investigadores identificaram outros suspeitos de atuar no envio das drogas e na organização das viagens, incluindo a compra de passagens aéreas.
A apuração também avançou sobre a movimentação do dinheiro. Conforme a investigação, contas de terceiros, empresas de fachada e plataformas digitais eram usadas para movimentar milhões de reais e dificultar a identificação da origem dos recursos. Mesmo depois das prisões realizadas na primeira fase, as atividades do grupo teriam continuado.
O caso começou a ser investigado em dezembro de 2024, quando um passageiro foi flagrado transportando aproximadamente 18 quilos de maconha em um voo que saiu de Manaus. O desdobramento das diligências levou à primeira fase da Gatekeeper, em março de 2025. Naquele momento, a PF identificou pelo menos 13 remessas, que somavam cerca de 150 quilos da droga, e prendeu quatro envolvidos.
Entre os presos estava um agente da própria Polícia Federal. De acordo com informações divulgadas pelo Ministério Público Federal em agosto deste ano, ele foi condenado a 26 anos e sete meses de reclusão, em regime inicial fechado, além de multa e perda do cargo público. Outros três réus também receberam condenações.
O MPF detalhou que o servidor usava o acesso às áreas restritas do aeroporto para colocar mochilas com drogas no setor de embarque doméstico. Assim, os responsáveis pelo transporte conseguiam passar pela inspeção sem os entorpecentes e recebê-los posteriormente, já dentro da área de embarque.
Ainda conforme o órgão, o policial consultava indevidamente sistemas internos da corporação para repassar informações privilegiadas ao grupo. A condenação também alcançou a ocultação de dinheiro do tráfico por meio da aquisição de bens registrados em nome do cônjuge.
Os investigados na nova fase poderão responder por tráfico de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Conforme a participação de cada envolvido, também poderão ser aplicadas causas de aumento de pena relacionadas ao transporte entre estados e ao envolvimento de agente público.