Alberto Neto (PL) tem empresário ligado ao Porto de Manaus como suplente em meio a críticas sobre cobranças no terminal
Alessandro Bronze Toniza também contribuiu financeiramente para a campanha; histórico inclui bloqueio de bens e quebra de sigilo em investigações
O deputado federal e candidato ao Senado pelo Amazonas Capitão Alberto Neto (PL) disputa a eleição com Alessandro Bronze Toniza como primeiro suplente. Conhecido pela atuação empresarial ligada ao Porto de Manaus, Bronze aparece na chapa com o nome eleitoral Alessandro Toniza. A composição está registrada no levantamento de candidaturas divulgado pela Agência Senado.
A ligação entre candidato e empresário também passa pelo financiamento eleitoral. Segundo levantamento do Portal Tucumã baseado nas contas apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bronze e Carlos Antônio de Carli Filho, conhecido como Carlito de Carli, contribuíram com R$ 25 mil cada, totalizando R$ 50 mil. Os valores correspondem aos registros consultados em 28 de agosto de 2026.
O mesmo levantamento aponta Bronze como presidente da Roadway Centro Comercial S.A. – SPE e Carlito como diretor da empresa, vinculada à estrutura comercial do complexo portuário. Assim, a relação envolve a composição da chapa, contribuições à campanha e interesses empresariais no terminal. As doações, por si só, não demonstram irregularidade.
O histórico de Bronze inclui medidas judiciais relacionadas à administração do porto. Em fevereiro de 2013, o Portal do Holanda noticiou que a Justiça Federal havia determinado o bloqueio de bens do empresário, de outros envolvidos e de empresas em uma ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal.
Na ocasião, a apuração tratava da alegada venda irregular de patrimônio da União: um cais flutuante de cem metros, vendido por R$ 100 mil, e dois ônibus, por R$ 80 mil cada. O bloqueio buscava assegurar eventual ressarcimento aos cofres públicos e não equivalia a uma condenação definitiva. O desfecho da ação não foi confirmado nas fontes consultadas.
Em setembro de 2020, o D24am informou que o ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou a quebra do sigilo de dados telemáticos de Bronze, a pedido do MPF. A medida ocorreu no contexto de um inquérito sobre suspeitas de desvios na Saúde do Amazonas. A reportagem consultada não informa condenação do empresário nesse caso.
As cobranças no Porto de Manaus também entraram no debate político. Em reportagem de 19 de setembro, o DeAmazônia atribuiu a Alberto Neto uma manifestação responsabilizando a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) pela definição das tarifas, diante de críticas aos valores cobrados no terminal.
A discussão exige identificar cada cobrança. A Antaq mantém procedimentos de homologação das tarifas das autoridades portuárias, enquanto o site do Porto de Manaus publica tabelas de preços dos serviços das arrendatárias. Esses documentos precisam ser examinados individualmente para estabelecer quem define o valor, qual serviço é prestado e quais regras se aplicam.
Outro ponto é a investigação sobre as condições do terminal. Conforme reportagem publicada em agosto, o MPF instaurou inquérito civil para verificar infraestrutura, segurança e cumprimento das obrigações contratuais das operadoras. Entre os temas estão a existência de Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, a separação dos fluxos de passageiros, cargas e veículos e o uso de áreas operacionais para eventos culturais.
O procedimento investiga o funcionamento do complexo e não estabelece, por sua abertura, responsabilidade individual de Bronze. Ainda assim, coloca sob fiscalização um setor empresarial diretamente ligado ao primeiro suplente escolhido por Alberto Neto.