Uma revelação explosiva envolvendo os bastidores do poder em Brasília veio à tona nesta quinta-feira (5). A lista de contatos extraída de um dos celulares do banqueiro Daniel Vorcaro, preso na quarta-feira (4) no âmbito das investigações sobre fraudes bilionárias ligadas ao Banco Master, mostra que o empresário tinha acesso direto a algumas das figuras mais influentes da República.
Entre os números armazenados no aparelho está o do senador Eduardo Braga (MDB-AM), justamente um dos integrantes do grupo de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado criado para acompanhar o escândalo financeiro que envolve o banco. A coincidência chamou atenção nos bastidores políticos de Brasília, já que a comissão atua diretamente no acompanhamento das investigações.

A agenda telefônica do banqueiro também inclui contatos pessoais de autoridades do mais alto escalão dos Três Poderes. Entre eles estão o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). O telefone do senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, também aparece na lista.
O alcance da rede de contatos vai ainda mais longe. O celular de Vorcaro guarda números de três ministros do Supremo Tribunal Federal: Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Nunes Marques. Também aparecem registros do ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski e de seu filho, Henrique Lewandowski, além de ministros do Superior Tribunal de Justiça, como Benedito Gonçalves.
Entre os governadores, figuram na agenda os números de Ibaneis Rocha, do Distrito Federal, e Cláudio Castro, do Rio de Janeiro. O telefone do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também foi encontrado, assim como o do diretor de fiscalização afastado da autarquia, Paulo Sérgio Neves, que foi alvo da operação policial deflagrada nesta semana.
Apesar da extensa lista de autoridades, investigadores ressaltam que a presença de números na agenda telefônica não significa, necessariamente, envolvimento dessas pessoas em irregularidades ou ligação direta com o esquema investigado. Até o momento, as autoridades citadas não se manifestaram publicamente sobre o caso.
Vorcaro é considerado peça-chave no escândalo que levou à derrocada do Banco Master. Segundo as investigações da Polícia Federal, o banco teria movimentado operações financeiras bilionárias consideradas atípicas, com emissão de títulos sem lastro, manipulação de ativos e uso de empresas de fachada para sustentar o esquema.
A instituição acabou sendo liquidada pelo Banco Central no ano passado, deixando um prejuízo estimado em R$ 50 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — um dos maiores rombos já registrados no sistema financeiro brasileiro.
Nos bastidores do Senado, o senador Eduardo Braga, integrante do grupo especial da CAE criado para acompanhar o caso, tem participado diretamente das discussões sobre os desdobramentos da investigação. Em fevereiro, ele esteve reunido com o ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal, para tratar da possibilidade de depoimento do banqueiro à comissão.
Na ocasião, Braga afirmou que o magistrado teria se comprometido a disponibilizar estrutura da Polícia Federal para levar Vorcaro a Brasília com “absoluta discrição”, caso o depoimento fosse autorizado.
Enquanto novas informações surgem, a Polícia Federal continua aprofundando as investigações para identificar o alcance real das fraudes bilionárias e eventuais conexões do banqueiro com agentes públicos e figuras influentes do poder em Brasília.