Manaus – Um caso que começou sob forte comoção popular terminou cercado de questionamentos e indícios de erro grave na Zona Leste de Manaus.
No último domingo (22), a redação recebeu informações sobre um suposto sequestro de criança na região. A denúncia apontava que familiares da suposta vítima teriam capturado três homens apontados como autores do crime. O clima na comunidade era de tensão e revolta.
Diante da gravidade da acusação, a equipe buscou apurar os fatos com cautela. Ao longo das investigações preliminares, surgiram indícios de que não houve sequestro consumado — e que os homens acusados podem ter sido confundidos.
A reportagem conseguiu contato com dois dos três envolvidos. Um deles precisou de atendimento médico após sofrer agressões durante o que moradores relataram como uma espécie de “tribunal do crime” — prática ilegal em que suspeitos são julgados e punidos à margem da lei.
Segundo relatos, as agressões ocorreram antes mesmo da verificação concreta dos fatos. Até o momento, não foram apresentadas provas que confirmem a tentativa de sequestro atribuída ao trio.
Um dos acusados gravou vídeo relatando sua versão dos acontecimentos. Ele afirma que houve um mal-entendido e que o grupo teria sido confundido com outras pessoas. Ainda de acordo com os relatos colhidos, caso houvesse de fato um crime consumado na área, dominada por grupos criminosos, o desfecho poderia ter sido ainda mais grave.
Outro ponto destacado pela defesa dos envolvidos é que os três participariam de um projeto social voltado à arrecadação de alimentos e apoio a pessoas em situação de rua e dependentes químicos.
O caso levanta um alerta sobre os riscos de acusações precipitadas e julgamentos sumários, que podem transformar suspeitas em violência concreta antes que os fatos sejam devidamente esclarecidos. As autoridades devem apurar tanto a denúncia inicial quanto as agressões sofridas pelos acusados.
A Polícia Civil deve investigar o caso.