David Almeida quer fazer servidores trabalharem mais para se aposentar e recebe críticas: ‘Atitude indecente’

Uma proposta do prefeito David Almeida (Avante) para alterar as regras de aposentadoria dos servidores municipais de Manaus gerou críticas intensas durante audiência pública na Câmara Municipal nesta segunda-feira (1º). O Projeto de Emenda à Lei Orgânica (PEL 10/2025), apresentado pelo Executivo como uma necessidade de adequação à Reforma da Previdência, é visto por sindicatos como uma medida política desnecessária, potencialmente prejudicial e que pode afetar diretamente os servidores.

O projeto prevê critérios mais rígidos para aposentadoria, incluindo idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens. Além disso, propõe um cálculo que pode reduzir drasticamente o valor das pensões por morte, limitando a 50% para viúvos e 10% para cada filho. Servidores afirmam que, na prática, essas mudanças os obrigariam a trabalhar por até uma década a mais para obter o benefício integral.

A oposição à proposta é veemente. Lambert Melo, coordenador jurídico do Sindicato de Professores e Pedagogos (ASPROM/Sindical), acusou a gestão de agir com má-fé. “Parece uma manobra para cumprir promessas feitas a financiadores de campanha. É uma atitude indecente, imoral e antiética”, declarou Melo.

Por outro lado, o Executivo, representado pela diretora-presidente da Manausprev, Daniela Benayon, justifica que a adequação é obrigatória. Críticos contestam esse argumento, destacando que a Reforma da Previdência federal exige alterações apenas para municípios cujo regime próprio esteja em déficit atuarial – situação que não se aplica a Manaus, cujo fundo previdenciário, com orçamento de cerca de R$ 1,9 bilhão, mantém equilíbrio há 18 anos.

O projeto ainda aponta um suposto déficit financeiro mensal atual de R$ 210 milhões, projetando crescimento para quase R$ 940 milhões em 2038, um período que ultrapassa o mandato atual. Até o fechamento desta matéria, a Manausprev não havia se pronunciado sobre os cálculos, deixando espaço para esclarecimentos futuros.

A discussão sobre a proposta também se conecta à PEC 38/2023, que ainda tramita no Congresso Nacional e tornaria obrigatória a adequação previdenciária para todos os municípios. A medida ainda não foi aprovada, reforçando a percepção de que a iniciativa de Almeida é precipitada e sem amparo legal urgente.

O projeto continua em tramitação na Câmara Municipal, mas enfrenta forte resistência da categoria, que promete mobilizações e protestos caso a proposta avance sem alterações significativas.

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