A derrota em uma votação no Conselho Estadual de Cultura do Amazonas (Conec) revelou uma crise interna e expôs uma postura polêmica do conselheiro Elson Rocha, que fez duras críticas ao secretário Caio André, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado. O episódio provocou revolta entre dirigentes das escolas de samba de Manaus, que se sentiram traídos por um representante que deveria defender os interesses do Carnaval e do folclore local.
Em vídeo amplamente compartilhado nas redes sociais, Elson critica a gestão de Caio André e ataca os resultados de eventos culturais importantes, como o Festival de Parintins, o Festival de Manaus e a Ciranda de Manacapuru, chamando-os de “vergonha”. Segundo ele, a administração mistura política com cultura, enquanto dirigentes de escolas de samba afirmam que suas declarações têm motivação política e visam deslegitimar o secretário.
A polêmica começou após uma votação do Conselho que decidiu destinar R$ 3 milhões para a ampliação e reforma dos barracões das escolas de samba de Manaus. Elson votou contra a medida e defendia que o dinheiro fosse usado na compra de um prédio no Centro de Manaus, destinado à nova sede do Conselho de Cultura.
Para os dirigentes das agremiações carnavalescas, a atitude do conselheiro é um claro desvio de função, já que ele ocupa a cadeira de Folclore e Carnaval e deveria atuar em defesa do setor, e não em detrimento dele.
Além disso, denúncias apontam que o conselheiro tem utilizado as redes sociais do Conec para fins pessoais, autopromoção e captação de recursos públicos sem prestação de contas. Essa conduta, considerada ilegal, compromete a imagem do Conselho e de toda a categoria cultural. Dirigentes afirmam que a sociedade exige respeito e transparência e reforçam:
“Esse indivíduo não nos representa!”
Em nota pública, a Escola de Samba Império do Avaí afirmou que Elson “não nos representa” e elogiou o trabalho do secretário Caio André:
“Agradecemos o empenho e dedicação do secretário na ampliação e reforma dos barracões das escolas de samba. Esse conselheiro não nos representa”, afirmou a nota.
A página Escolas de Samba de Manaus também se manifestou nas redes sociais em apoio a Caio André e contra as críticas do conselheiro.
Dirigentes afirmam que Elson ignorou o resultado da votação e confundiu política com cultura, prejudicando projetos estratégicos que beneficiam diretamente o Carnaval de Manaus. Para eles, o episódio evidencia uma tentativa de politizar a cultura e colocar interesses pessoais acima do setor cultural.
O caso levanta questionamentos sobre a atuação de representantes no Conselho Estadual de Cultura e sobre a defesa do patrimônio cultural do Amazonas, especialmente em um momento em que os investimentos públicos no Carnaval buscam fortalecer não apenas a tradição cultural, mas também a economia local.