Festa de Halloween de Vorcaro reuniu 120 mulheres e teve celulares proibidos, diz PF

Uma investigação da Polícia Federal encontrou no celular do banqueiro Daniel Vorcaro mensagens sobre a organização de uma festa privada de Halloween que teria reunido aproximadamente 140 pessoas em São Paulo, em 31 de outubro de 2023. Entre os participantes previstos estavam 120 mulheres e 20 homens.

O conteúdo faz parte de um relatório produzido pela PF em agosto de 2026, com 218 páginas, a partir da análise do aparelho de Vorcaro. O documento foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal no âmbito da PET 15.556 e registra conversas sobre convidados, estrutura do evento e estratégias para impedir a divulgação de imagens ou informações.

As mensagens foram divulgadas pela revista piauí nesta sexta feira (11).

Um dos nomes que aparecem nas conversas é o de Fábio Faria, então ministro das Comunicações do governo Bolsonaro. Ele tratava diretamente com Vorcaro sobre convidados e chegou a informar que Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco haviam confirmado presença. Faria também disse ter convidado o ministro Dias Toffoli.

Apesar das referências, Toffoli, Alcolumbre e Pacheco negaram ter participado da festa. As assessorias dos dois senadores informaram que eles estavam em Brasília em 31 de outubro e haviam jantado juntos.

Faria também negou qualquer participação além do encaminhamento de convites. Segundo ele, havia conhecido Vorcaro em um fórum empresarial e apenas repassado convites a pessoas que tinham relações em comum com o banqueiro.

FESTA TEVE ESQUEMA AFIM DE EVITAR VAZAMENTOS

A preocupação com o sigilo aparece repetidamente nas mensagens. Vorcaro não teria informado antecipadamente o endereço aos convidados e chegou a dizer que o local ficava próximo ao Rosewood.

Em determinado momento, o banqueiro relatou que havia mais mulheres do que o espaço comportava. “Tem 120 mulheres e 20 homens. Tô tendo que tirar mulher porque não tá cabendo”, escreveu.

Faria também demonstrou preocupação com a possibilidade de imagens do encontro serem publicadas nas redes sociais. Ele citou o vazamento de informações sobre uma festa de Neymar e sugeriu reduzir a quantidade de brasileiras.

Vorcaro respondeu que os celulares seriam proibidos e que uma equipe ficaria responsável pelo controle. Em outra mensagem, afirmou que, caso houvesse vazamento, a festa seria apresentada como um evento do banco destinado a parceiros durante o Halloween.

Um áudio transcrito pela PF registra ainda Faria dizendo que afirmaria estar em Brasília para evitar questionamentos. Na gravação, ele menciona “Arthur” e “Alexandre”, nomes que os investigadores associaram a Arthur Lira e Alexandre de Moraes.

O endereço da festa foi encaminhado a Faria no próprio dia do evento. O encontro ocorreu na Rua Conselheiro Ramalho, na Bela Vista.

VORCADO ESCOLHEU QUEM IRIA NA FESTA

As conversas com o produtor Tiago Polo mostram que Vorcaro participou da definição do perfil dos convidados. Polo informou ter negociado com as agências Mega, Ford e Joy, mas o banqueiro rejeitou a presença de homens desconhecidos.

Em outros trechos, Vorcaro pediu mulheres jovens e usou a expressão “novinhas”.

As agências citadas negaram envolvimento na seleção ou intermediação de modelos para a festa. Mega, Ford, Joy e Allure afirmaram que não trabalham dessa maneira e disseram não manter negócios com Vorcaro.

O evento teve bebidas, bufê, queijos, sushi e apresentações de DJs. Uma convidada afirmou que havia muitas mulheres estrangeiras e disse não ter presenciado atividade sexual.

O estabelecimento onde a festa ocorreu informou que havia sido contratado por um produtor de eventos. Gé Rodrigues, sócio do Madame Satã, afirmou que não sabia previamente que Vorcaro seria o responsável pelo encontro.

POST NO TIKTOK FOI REMOVIDO

No dia seguinte à festa, Vorcaro teria se irritado ao descobrir um vídeo publicado por uma convidada no TikTok com a frase “MELHOR FESTA DE HALLOWEEN”.

Nas mensagens, ele pediu a Tiago Polo que identificasse a mulher e retirasse o conteúdo. A publicação foi apagada depois do contato. O material da PF também menciona que a segurança teria impedido registros da fachada do estabelecimento.

Em novembro de 2023, Vorcaro encaminhou a um segurança identificado como Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, uma publicação relacionada à festa e pediu que o conteúdo fosse removido. Mourão concordou.

O segurança posteriormente foi preso em uma operação relacionada à investigação e morreu em março de 2026, após uma tentativa de suicídio em uma unidade da Polícia Federal em Belo Horizonte.

Outro conjunto de mensagens analisado pelos investigadores trata da retirada ou desindexação de links no Google. Entre os conteúdos estavam reportagens sobre gastos estimados entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões com a festa de 15 anos da filha de Vorcaro.

Em outubro de 2024, Vorcaro também conversou com Mourão sobre a possibilidade de contratar pessoas para acompanhar um DJ que se apresentava em festas. O diálogo terminou com a possibilidade de convidar o artista para uma apresentação no Brasil.

A PF utiliza as mensagens para analisar a rede de relações de Vorcaro e possíveis conexões empresariais e institucionais. A presença de nomes nas conversas ou a participação de Faria no encaminhamento de convites, por si só, não comprova a prática de crime.

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