POLÍTICA (AM) – O dinheiro público tem uma presença constante na trajetória da empresária Maria do Carmo Seffair (PL). Governos petistas, inclusive, que nos últimos 10 anos turbinaram o caixa da Fametro por meio de programas federais. Além disso, o financiamento público de campanha também está diretamente ligado à candidata ao Governo do Amazonas, que, literalmente, não progride sem dinheiro do Estado.
Em 2024, quando ainda se apresentava como representante do Partido Novo, a empresária declarou ser contrária ao Fundo Eleitoral: “Somos contra, mas sabemos que não dá para competir”.
A declaração, porém, passa longe da realidade. Na semana passada, a direção nacional do PL depositou R$ 4,5 milhões do Fundo Eleitoral na conta da campanha de Maria do Carmo.
O dinheiro, verba pública, corresponde a 99,3% dos R$ 4,53 milhões arrecadados pela candidatura até a data da consulta. O PL é presido no Amazonas pelo ex-ministro de Dilma e Lula, Alfredo Nascimento..
A questão é política. Como conciliar o discurso contrário ao financiamento público com a utilização quase integral desse mesmo mecanismo?
Maria já classificou as cifras do Fundo Eleitoral como muito altas. Mas o partido dela, ela mesma e candidatos apoiador publicamente por ela, como Flávio Bolsonaro, usarão os recursos para pedir voto.
A despeito de levar nota 1 do MEC no Curso de Medicina e ser reprovada como uma das piores do Brasil, a Fametro, por meio do Instituto Metropolitano de Ensino (IME), vem recebendo sem contestações ideológicas valores de programas do PT de financiamento público em redes privadas de ensino.
Desde 2015, ainda durante o governo Dilma Rousseff (PT). Naquele ano, três ordens bancárias classificadas como pagamentos relacionados ao Fies somaram R$ 9,11 milhões destinados ao IME.
No mesmo período, a instituição obteve R$ 9,91 milhões em benefícios tributários vinculados ao ProUni: R$ 7,28 milhões em Imposto de Renda e R$ 2,63 milhões em Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
Maria do Carmo como sócia-administradora do IME, recebeu R$ 196,13 milhões do Governo Federal na série disponível. No caso específico do ProUni, dados publicados pela Controladoria-Geral da União apontam aproximadamente R$ 105 milhões em renúncias de IRPJ e CSLL concedidas ao IME nos anos de 2015, 2017, 2018, 2019, 2021, 2022 e 2023.
O financiamento ocorreu também no governo Luiz Inácio Lula da Silva, de quem a empresária diz ter 1005 de divergências Do petista ela já recebeu em benefícios tributários R$ 25,69 milhões.
Os incentivos também atravessaram os governos de Michel Temer e do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ou seja: a relação da Fametro com o poder público não ficou restrita a uma ideologia, a um partido ou a um presidente. Dilma, Temer, Bolsonaro e Lula passaram pelo Palácio do Planalto. E os recursos e benefícios públicos continuaram chegando à instituição.
fonte: Express AM