MANAUS – A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) investiga uma denúncia de supostas falhas no atendimento prestado a um empresário de Manaus que sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e deu entrada no Hospital Check Up, na Zona Centro-Sul da capital. O caso, registrado em boletim de ocorrência, apura possíveis episódios de negligência, falhas operacionais e exposição do paciente a risco de morte durante o atendimento de emergência.
De acordo com a família, o empresário chegou à unidade hospitalar no dia 4 de julho consciente, orientado e apresentando sintomas compatíveis com AVC. Durante o atendimento, porém, teria enfrentado uma sequência de problemas que, segundo os denunciantes, agravaram seu estado de saúde.

Conforme o relato, a equipe médica informou inicialmente que não havia leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) disponível no Hospital Check Up e orientou a transferência do paciente para o Hospital Santa Júlia. Entretanto, após familiares conseguirem uma vaga na unidade indicada, a equipe teria informado que um leito de UTI havia sido disponibilizado no próprio hospital.
Ainda segundo a denúncia, durante esse período de espera, um familiar encontrou o paciente vomitando e com sinais de engasgo, sem acompanhamento direto da equipe médica. O relato afirma que foi necessário intervir para posicionar corretamente o paciente e evitar uma situação ainda mais grave.
A família também questiona a condução do tratamento clínico, alegando que o paciente recebeu uma dosagem elevada de medicamento para controle da pressão arterial enquanto aguardava a chegada do neurocirurgião responsável pelo procedimento.
Outro ponto levantado na denúncia envolve a solicitação de uma caução de R$ 60 mil para a realização da cirurgia. Os familiares afirmam que o procedimento já possuía cobertura pelo plano de saúde e que, durante a emergência, teria ocorrido uma troca de prontuários entre pacientes, causando atraso na cirurgia do empresário.
Após o procedimento, o paciente foi transferido em UTI aérea para o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde permanece internado, em recuperação e com quadro considerado neurologicamente estável.
A Polícia Civil confirmou que apura as circunstâncias do atendimento. Entre as diligências estão a coleta de depoimentos de familiares, profissionais da unidade de saúde e funcionários, além da análise de imagens das câmeras de segurança para reconstruir a cronologia dos fatos.
A investigação deverá apurar se houve eventual responsabilidade de profissionais envolvidos no atendimento e se os protocolos médicos e administrativos foram devidamente observados.
A reportagem procurou o Hospital Check Up para solicitar posicionamento sobre as acusações apresentadas pela família, incluindo os questionamentos relacionados à disponibilidade de leitos, à condução do atendimento médico, à solicitação da caução e à suposta troca de prontuários.
Até a publicação desta reportagem, a unidade hospitalar não havia encaminhado resposta. O espaço permanece aberto para manifestação do hospital e dos profissionais citados na denúncia.