MANAUS – Os policiais militares Belmiro Wellington Costa Xavier e Hudson Marcelo Vilela de Campos se entregaram às autoridades na noite desta terça-feira (21), após terem a prisão decretada pela Justiça do Amazonas pela morte do jovem Carlos André de Almeida Cardoso, de apenas 19 anos, durante uma perseguição policial no bairro Alvorada, zona Centro-Oeste de Manaus.
Após se apresentarem, os dois agentes foram encaminhados diretamente para o Núcleo Prisional da Polícia Militar, localizado na Avenida José Henrique Bentes, no bairro Monte das Oliveiras, zona Norte da capital, onde permanecem presos à disposição da Justiça.
A decisão de prisão foi determinada após o juiz Alcides Carvalho Vieira Filho reconsiderar a decisão da audiência de custódia, que inicialmente havia concedido liberdade a um dos policiais. O magistrado tomou a nova decisão após surgirem novas provas, principalmente imagens fortes que mostram que o jovem Carlos André não teria reagido durante a abordagem policial.
As imagens, que circulam nas redes sociais e já estão em posse das autoridades, mostram momentos tensos da perseguição e levantam suspeitas de uso excessivo da força por parte dos policiais. A repercussão foi imediata e gerou revolta entre moradores do bairro Alvorada, familiares e internautas, que pedem justiça pela morte do jovem.
Na decisão, o juiz destacou ainda que existem contradições importantes nos depoimentos apresentados pelos policiais, além de indícios de violência desproporcional. Outro ponto considerado foi o risco de que, soltos, os agentes pudessem interferir nas investigações ou influenciar testemunhas.
O pedido de prisão foi feito pela promotora de Justiça Adriana Espinheira, que classificou o caso como grave e ressaltou a necessidade de preservar a ordem pública e garantir a continuidade das investigações.
O caso ganhou grande repercussão em Manaus, principalmente após a divulgação do vídeo que mostra o momento da perseguição e os disparos que atingiram o jovem. Familiares afirmam que Carlos André não tinha envolvimento com crimes e cobram justiça e punição rigorosa contra os responsáveis.
Enquanto isso, o inquérito segue em andamento para esclarecer todos os detalhes da ocorrência, incluindo a dinâmica da perseguição, quantidade de disparos efetuados e responsabilidade direta de cada policial na morte do jovem.
A morte de Carlos André reacendeu o debate sobre abordagens policiais e uso da força em Manaus, gerando forte comoção nas redes sociais e protestos silenciosos de moradores do bairro Alvorada.
O caso segue sendo investigado.