As investigações da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) começaram no último sábado (18), após a mãe e a madrasta de um menino denunciarem um grave caso de abuso sexual envolvendo um professor de futsal, em Manaus. A denúncia foi formalizada por meio de um Boletim de Ocorrência (BO), dando início imediato às diligências policiais.
A suspeita surgiu quando a madrasta percebeu mudanças no comportamento da criança ao interagir com o professor. Diante da desconfiança, ela realizou o espelhamento do WhatsApp do menino — medida que revelou um cenário alarmante.
Segundo o delegado Jeferson Vicente, as conversas encontradas continham conteúdo de cunho sexual, além de mensagens com linguagem afetiva totalmente incompatível com a idade da vítima. Também foram identificadas chamadas de vídeo prolongadas entre o suspeito e a criança, reforçando os indícios de aliciamento.
A vítima foi submetida à escuta especializada, conforme prevê a Lei nº 13.431/2017 (Lei da Escuta Protegida). Em depoimento, o menino confirmou que era levado pelo professor até sua residência antes dos treinos esportivos, onde sofria abusos.
De acordo com a polícia, o suspeito utilizava uma estratégia para se aproximar das vítimas: reunia várias crianças em sua casa sob o pretexto de lazer, oferecendo jogos e brincadeiras. No entanto, selecionava uma delas para levá-la até um quarto, onde praticava beijos, toques íntimos e outros atos libidinosos.
As investigações também revelaram que o homem já possuía antecedentes relacionados ao armazenamento de material pornográfico infantil em dispositivos eletrônicos, o que reforça a gravidade do caso e levanta a suspeita de possíveis outras vítimas.
Com base nas provas reunidas, a autoridade policial solicitou à Justiça a prisão preventiva do investigado, além de mandado de busca e apreensão em sua residência. As medidas foram autorizadas no domingo (19), em caráter de urgência.
O suspeito foi preso no bairro Planalto, zona centro-oeste da capital amazonense. Durante a ação, dois celulares foram apreendidos e serão submetidos à perícia técnica, que deve aprofundar as investigações e identificar possíveis novos elementos de prova.