Manaus (AM) – Mesmo sem ocupar qualquer cargo oficialmente registrado na estrutura administrativa da Prefeitura de Manaus, o nome de Jack Serafim é amplamente conhecido nos bastidores do poder municipal. De acordo com fontes da própria prefeitura e ex-integrantes da gestão, Serafim exerce controle direto e não oficial sobre a Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom), atuando como um verdadeiro “secretário oculto” do prefeito David Almeida (Avante).
Ascensão nos bastidores
A projeção de Jack Serafim teve início durante a gestão do ex-prefeito Arthur Virgílio Neto, quando foi convocado de forma extraoficial para tentar conter a crise de imagem provocada pelo assassinato do engenheiro Flávio dos Santos Rodrigues, caso que teve como principal suspeito Alejandro Valeiko, enteado do então prefeito. Na ocasião, Serafim teria montado um esquema de blindagem midiática para proteger a família Valeiko, atuando nos bastidores da comunicação com recursos públicos destinados à mídia local.
Apesar dos gastos milionários, o plano fracassou diante da pressão popular e da imprensa. Ele foi dispensado pela então primeira-dama, Elizabeth Valeiko, em meio a acusações de manipulação da máquina de comunicação com fins políticos.
Influência ampliada na gestão David Almeida
Após o fim da gestão de Virgílio, Serafim voltou com ainda mais força na administração de David Almeida, embora nunca tenha sido oficialmente nomeado para cargo algum. Desde então, segundo fontes da Prefeitura, exerce poder absoluto na Semcom. Ele é apontado como responsável direto por decisões estratégicas de comunicação, contratação de agências, definição de narrativas e direcionamento de verbas publicitárias.
Dois secretários já passaram pela pasta desde 2021: Quaresma e Israel Conte. Ambos caíram em meio a denúncias e suspeitas de armações políticas — operações atribuídas a Serafim por fontes internas.
No caso de Quaresma, relatos indicam que uma mulher teria sido usada para seduzi-lo e registrar imagens comprometedoras, o que levou à sua exoneração. Já Israel Conte, que o substituiu, foi demitido após suspeitas de envolvimento com desvios de verbas, embora pessoas próximas afirmem que Jack era quem, de fato, controlava as decisões financeiras da secretaria.
Camila Silva: nome no papel, poder nas sombras
Atualmente, a jornalista Camila Silva, antes subsecretária, ocupa oficialmente a chefia da Semcom. No entanto, apurações revelam que ela não possui autonomia real e atua apenas como uma figura institucional. “Camila assina, mas quem manda é o Jack”, disse uma fonte que ainda trabalha na secretaria.
Servidores relatam que Jack Serafim mantém controle absoluto sobre os contratos de publicidade, a pauta da comunicação oficial, o relacionamento com veículos de imprensa e influenciadores digitais, além das campanhas institucionais da Prefeitura.
Denúncias de caixa 2 e enriquecimento ilícito
O ponto mais sensível envolve denúncias de um possível esquema de caixa 2 eleitoral. Empresas de publicidade ligadas a Serafim — incluindo uma registrada em nome de sua esposa — estariam operando contratos com a Prefeitura de forma paralela e sem licitação clara. Os recursos seriam usados para manter um grupo de influenciadores pagos, comprar apoio de blogs e garantir cobertura positiva em veículos de comunicação.
Entre as denúncias está a de que a esposa de Jack estaria financiando, sem renda declarada, um curso de medicina particular em Manaus, com mensalidades superiores a R$ 12 mil, o que reforça as suspeitas de movimentações financeiras incompatíveis com sua situação declarada.
Falta de transparência e risco à legalidade
Apesar de sua influência, Jack Serafim não tem cargo comissionado, não aparece no Portal da Transparência, não possui e-mail institucional e não responde oficialmente a nenhum setor da administração municipal. Mesmo assim, fontes revelam que ele participa de reuniões estratégicas, interfere em contratações e decide onde e como os recursos da publicidade pública são aplicados.
Segundo advogados consultados pela reportagem, a atuação de Serafim pode configurar improbidade administrativa, peculato e crime eleitoral, caso se comprove o uso indevido de verbas públicas para fins políticos sem respaldo legal ou nomeação formal.
Órgãos de controle permanecem em silêncio
Procurados, o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) ainda não se manifestaram sobre possíveis investigações. Fontes ligadas aos dois órgãos admitem a dificuldade de fiscalizar uma figura que, oficialmente, não existe na estrutura do poder público, embora tenha acesso e influência como se fosse um secretário.
Sem nomeação, sem CPF funcional e sem vínculo formal, Jack Serafim segue operando nas sombras da Prefeitura como o verdadeiro “homem forte” da comunicação institucional.