A manifestação ganhou força nesta semana, quando centenas de pessoas ocuparam as ruas do município em protesto contra o processo conduzido pela Funai e pelo ICMBio. Faixas e cartazes criticando a atuação de organizações internacionais e cobrando mais transparência no processo de demarcação chamaram atenção durante o ato. Em uma das principais faixas erguidas pelos manifestantes, estava escrito: “ONGs inimigas do progresso. Barcelos diz não aos interesses internacionais”.
De acordo com Plínio, a ação judicial apresentada questiona a legalidade dos estudos técnicos utilizados para justificar a ampliação territorial e aponta possíveis irregularidades na condução do processo. O senador afirma que prefeitos, vereadores, lideranças locais e até comunidades indígenas alegam não terem sido devidamente consultados antes do avanço da proposta.
A área em discussão fica entre os municípios de Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro e pode impactar diretamente o planejamento urbano, econômico e turístico da região. Moradores temem prejuízos à pesca esportiva, ao turismo ecológico, ao comércio e à circulação de famílias ribeirinhas que dependem dos rios da região para sobreviver.
Plínio também declarou que muitos indígenas não querem novas ampliações territoriais, mas sim investimentos em saúde, educação, infraestrutura e geração de renda.
O povo precisa ser ouvido. Essas decisões são tomadas de cima para baixo, sem escutar quem vive na região. O protesto já é grande e pode crescer ainda mais se essa demarcação avançar. Muitos indígenas querem dignidade, políticas públicas e liberdade para trabalhar nas terras que já possuem, afirmou o senador.
A ação popular apresentada pelo parlamentar pede a suspensão imediata do processo de homologação da Terra Indígena Aracá-Padauiri até que sejam analisadas supostas irregularidades apontadas nos estudos da Funai e garantida a participação dos municípios e das comunidades afetadas.