POLÍTICA – Em pronunciamento no plenário do Senado, o senador Plínio Valério (PSDB-AM) fez um agradecimento público ao biólogo Richard Rasmussen e à caravana de influenciadores digitais que percorreram a região da Transamazônica e trechos da BR-319, estrada que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO).
Crítico ferrenho da posição da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o parlamentar afirmou que a expedição ajudou a “mostrar ao Brasil a trágica realidade da população” que depende da rodovia como único acesso terrestre ao restante do país.
Segundo Plínio, a viagem de Rasmussen revelou não apenas as dificuldades enfrentadas por moradores, pequenos produtores e comerciantes da região, mas também reforçou, em sua visão, que a BR-319 “já existe” e precisa apenas de asfaltamento e manutenção adequada.
“Eles percorreram a BR-319 e descobriram o óbvio: a rodovia existe. O que precisa é asfalto. Agradeço ao Richard por isso. Vou telefonar para agradecer”, declarou o senador.

Durante o discurso, o parlamentar voltou a atacar a atuação de órgãos ambientais como o Ibama e o ICMBio, acusando-os de impedir o desenvolvimento da região sob a justificativa de proteção ambiental.
Plínio classificou como “contradição” a postura do que chamou de “santuaristas” dentro do governo federal, afirmando que há excesso de restrições à intervenção na área do chamado “trecho do meio” da BR-319 — parte considerada a mais sensível ambientalmente por cortar áreas preservadas da Amazônia.
A ministra Marina Silva, por sua vez, tem defendido que qualquer avanço na pavimentação da rodovia deve cumprir rigorosamente critérios técnicos e ambientais, diante do risco de aumento do desmatamento, grilagem de terras e avanço da ocupação irregular.
O senador também citou um episódio envolvendo Rasmussen durante a expedição. Segundo ele, o naturalista, que trafegava em um veículo tipo UTV (quadriciclo), teria sido abordado por um agente da Polícia Rodoviária Federal, que informou que aquele tipo de veículo não poderia circular na via.
Para Plínio, o episódio reforça sua tese:
“Se é proibido trafegar com determinado veículo, é porque é uma rodovia. Como eu venho dizendo aqui há anos, a BR-319 existe.”
Outro ponto levantado no discurso foi o intenso tráfego de caminhões transportando madeira pela rodovia. O senador criticou o que chamou de “silêncio de ambientalistas” diante da circulação de cargas florestais na região, sugerindo incoerência no debate público.
A BR-319, construída na década de 1970, foi abandonada nos anos 1980 e, desde então, tornou-se símbolo de um dos maiores embates entre desenvolvimento regional e preservação ambiental no país. Estudos apontam que a pavimentação sem mecanismos de controle pode acelerar o desmatamento em uma das áreas mais preservadas da Amazônia, enquanto defensores da obra afirmam que a precariedade atual penaliza a população local e encarece o custo de vida em Manaus.
O discurso de Plínio reacende um debate nacional: de um lado, o argumento de integração e justiça social para populações isoladas; de outro, a preocupação com os impactos ambientais em uma área estratégica para o equilíbrio climático global.
A repercussão da caravana liderada por Rasmussen nas redes sociais ampliou a discussão e trouxe novamente a BR-319 ao centro da pauta política em Brasília.
A pergunta que permanece é: é possível conciliar desenvolvimento regional e preservação ambiental na Amazônia sem repetir erros do passado?