MANAUS (AM) – A manhã desta sexta-feira (25) foi marcada por comoção e apelos por justiça no Fórum Ministro Henoch Reis, onde teve início o julgamento dos policiais militares acusados de envolvimento na morte do jovem motoboy Endrio de Souza Nascimento, de 20 anos. O crime ocorreu em 30 de março de 2021, no bairro União, zona Centro-Sul da capital amazonense.
Endrio foi baleado durante uma abordagem policial, e familiares alegam que ele foi executado de forma covarde, com quatro tiros pelas costas, sem chance de defesa. O caso ganhou grande repercussão e gerou revolta entre moradores da região e defensores dos direitos humanos.
Entenda o caso
Na noite do dia 30 de março de 2021, Endrio voltava para casa após um dia de trabalho quando foi abordado por uma guarnição da Polícia Militar no bairro União. De acordo com o boletim de ocorrência da época, os policiais disseram ter recebido uma denúncia sobre uma tentativa de assalto praticada por dois homens em uma motocicleta com características semelhantes à de Endrio e um colega.
Segundo o relato dos PMs, os dois jovens teriam reagido à abordagem, o que teria motivado os disparos. No entanto, a versão policial foi imediatamente contestada por testemunhas e familiares.
A mãe do jovem, muito abalada, declarou em entrevista ao site Imediato:
“Meu filho foi executado covardemente pelas costas. Ele era trabalhador, voltava do trabalho. Não teve nem chance de mostrar os documentos. Não era bandido para morrer desse jeito. Queremos justiça!”
A família também denunciou o desaparecimento dos documentos e do celular de Endrio logo após a ação. O laudo residuográfico realizado pela perícia apontou resultado negativo para pólvora nas mãos da vítima, o que, segundo a advogada da família, reforça a tese de que ele não efetuou disparos e não houve troca de tiros.
“As provas técnicas e testemunhais desmentem a versão dos policiais. O Ministério Público sustenta que foi uma execução sumária”, disse a advogada da família, que acompanha o processo.
O julgamento
O julgamento, presidido pela 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, teve início por volta das 9h. A sessão deve se estender por todo o dia, com a oitiva de testemunhas, apresentação de provas e os debates entre defesa e acusação.
Familiares, amigos e moradores do bairro União acompanharam o início do júri, levando cartazes com frases como “Justiça por Endrio” e “Vidas negras importam”, em protesto contra a violência policial.
Em um desabafo emocionado diante da imprensa, a mãe da vítima reforçou o apelo por justiça:
“Meu filho nunca foi bandido pra ser executado dessa forma. A gente só quer justiça. A de Deus, essa não falha, mas queremos que a justiça da Terra também seja feita. Meu filho não teve nem a chance de se defender. Foi morto com quatro tiros pelas costas. E até hoje os documentos dele desapareceram. Isso não pode ficar impune”, declarou, chorando.
O caso reacende o debate sobre violência policial, principalmente contra jovens negros e periféricos na capital amazonense. Organizações de direitos humanos acompanham o desfecho do julgamento e pedem rigor na responsabilização dos envolvidos.
O resultado do júri popular pode sair ainda hoje, ou se estender até o fim de semana, dependendo do andamento dos depoimentos e da análise do plenário.