Manaus (AM) – Um áudio que circula desde esta semana entre grupos de imprensa e bastidores políticos expôs uma nova crise envolvendo a Secretaria Municipal de Comunicação (SEMCOM) da Prefeitura de Manaus. Na gravação, supostamente enviada por um representante de veículos de comunicação locais, o secretário de Comunicação, Jack Serafim, é cobrado por pagamentos atrasados referentes a inserções publicitárias (PIs) em portais e blogs da cidade.
Além da cobrança financeira, o áudio revela um cenário de desespero: o prestador de serviço afirma estar há meses sem receber, menciona valores de R$ 15 mil e R$ 10 mil, e relata dificuldades para sustentar a família. O mais grave é a menção a uma ameaça de morte, supostamente recebida por um dos credores — e formalmente registrada em cartório.
O tom do áudio é de indignação. O prestador denuncia que outros comunicadores também não foram pagos e estariam sendo pressionados por parceiros e fornecedores. Segundo fontes ouvidas sob anonimato, os materiais em questão já teriam sido veiculados, com promessa de pagamento via trâmites internos da Prefeitura — o que não teria ocorrido até agora.
Apesar da repercussão, a SEMCOM ainda não se pronunciou oficialmente sobre os pagamentos pendentes nem sobre o conteúdo da gravação.
Essa denúncia se soma a uma série de casos semelhantes envolvendo a gestão municipal. Empresas terceirizadas que prestam serviços essenciais à cidade também relatam atrasos e calotes:
A revelação de que portais alinhados à gestão estariam cobrando por serviços não pagos lança luz sobre um tema sensível: o uso de recursos públicos na comunicação institucional. A falta de transparência nos pagamentos e a ausência de fiscalização sobre os contratos alimentam suspeitas de favorecimento político e descontrole administrativo.
A suposta ameaça de morte, registrada em cartório, pode levar o caso à esfera criminal. Especialistas em direito ouvidos pela reportagem afirmam que, se confirmada, a denúncia pode resultar em investigação policial, responsabilização penal e abertura de inquérito, independentemente de vínculo formal com o Executivo.