A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) divulgou, nesta semana, o trajeto percorrido por Izabele Dinelly Martins, de 15 anos, antes de ser encontrada morta em Manaus. A adolescente, que estava desaparecida desde a última sexta-feira (25), foi brutalmente espancada e deu entrada no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio no sábado (26). Ela não resistiu aos ferimentos e morreu no mesmo dia. A família só conseguiu localizá-la na unidade hospitalar na segunda-feira (28), quando infelizmente já era tarde.
Segundo a Polícia Civil, Izabele saiu da casa da tia no bairro Santo Agostinho, onde passava férias, e foi vista por câmeras de segurança caminhando sozinha pelo Beco Tranquilo até a Rua Manaus, no bairro Compensa, zona oeste da capital. Foi nesse ponto que ela teria sido abordada e agredida.

Além das agressões físicas que causaram traumatismo cranioencefálico e hemorragia intracraniana, a adolescente teve os cabelos raspados e apresentava cortes pelo corpo, conforme apontou o laudo do Instituto Médico Legal (IML). A prática de raspar a cabeça, segundo especialistas em segurança, é comum entre facções criminosas como forma de punição — geralmente aplicada a quem é acusado de colaborar com rivais, com a polícia ou por alguma suposta “traição” interna.
Em uma live de um portal de notícias local, um comentário de um internauta afirmava que Izabele já estaria morta por supostamente ter ido buscar informações sobre o Comando Vermelho (CV) na Compensa, área dominada por facção rival. A Polícia Civil, no entanto, ainda não confirmou oficialmente qualquer motivação ligada ao crime organizado. A ligação entre o espancamento, o local onde ela foi vista pela última vez e a prática de tortura ainda está sob investigação.
Na quarta-feira (30), uma tia da vítima — que havia divulgado o desaparecimento da jovem à imprensa — compareceu à DEHS para prestar depoimento. Ela preferiu não comentar com a imprensa após sair da delegacia.
Segundo relatos da família, Izabele morava em Maués, no interior do Amazonas, e passava as férias escolares em Manaus, hospedada na casa da tia. Ela deveria retornar à sua cidade natal no sábado (26), mas desapareceu na sexta-feira (25) após informar que iria até a Cidade Nova, na zona norte, buscar um carregador de celular na casa de um amigo. Desde então, não fez mais contato com a família.
A adolescente foi levada ao hospital no mesmo dia, vítima de agressão, mas sem documentos de identificação. Os familiares só conseguiram localizá-la no necrotério do hospital dois dias depois, já sem vida.
A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros realiza nesta quinta-feira (31) uma coletiva de imprensa para apresentar atualizações sobre o caso, inclusive sobre possíveis envolvidos e o andamento das investigações. A polícia também busca esclarecer se o crime teve motivação relacionada a facções ou se houve outro tipo de motivação.
A Polícia Civil do Amazonas reforça que qualquer informação que possa colaborar com o caso pode ser repassada de forma anônima através do número 181, da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM).