Enquanto a Prefeitura de Rio Preto da Eva prepara os últimos detalhes para dois dias de festividades nos próximos dias 28 e 29, com atrações nacionais como a cantora Klessinha, o clima nas ruas do município é de indignação. Sob a gestão da Prefeita Socorro Nogueira, a iniciativa de investir em eventos de grande porte tem sido alvo de duras críticas por parte da população, que denuncia um cenário de abandono sistemático da infraestrutura urbana e rural.
Relatos enviados ao Portal Vizinho TV expõem um abismo entre a propaganda oficial e a realidade cotidiana. Moradores descrevem uma cidade sitiada por buracos, esgotos a céu aberto e acúmulo de lixo. A situação se agrava nos ramais, vias vitais para o escoamento da produção local, que se encontram praticamente intrafegáveis e desprovidos de qualquer pavimentação, contrariando as promessas de campanha feitas pela atual gestora.

A tensão entre a administração municipal e a comunidade ganhou novos capítulos nos últimos dias. Comerciantes e permissionários da orla do município relataram um episódio de truculência envolvendo equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura e a Guarda Municipal.
Segundo os trabalhadores, o espaço, que já sofre com a falta de manutenção há anos, foi alvo de uma ação para a demolição de muretas divisórias entre os boxes, gerando revolta entre quem depende do local para sobreviver.
O descontentamento também ecoa nos corredores do hospital municipal. Pacientes e familiares denunciam a escassez de medicamentos básicos e dificuldades crônicas no atendimento, o que amplia o questionamento sobre a destinação dos recursos públicos.
Rio Preto da Eva não é uma cidade desassistida financeiramente. Nos últimos anos, o município foi destino de dezenas de milhões de reais provenientes do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), além de transferências estaduais e convênios federais. O volume de recursos, no entanto, parece não se refletir na dignidade da estrutura urbana.

Nas redes sociais, a pergunta que domina o debate público é uma só: por que investir em cachês artísticos elevados quando as necessidades básicas da população permanecem sem solução? Para os críticos da gestão, a “festa” promovida pela prefeitura soa como uma tentativa de mascarar problemas estruturais que se acumulam sem resposta.

Enquanto os palcos são montados, a população cobra que a prioridade da gestão volte a ser o investimento no bem-estar e na infraestrutura que a cidade, outrora referência, tanto necessita.