AMAZONAS – A mulher que afirma ter emprestado sua casa para um pastor realizar cultos e “fazer a obra de Deus” em Itacoatiara, no interior do Amazonas, acabou ficando frente a frente com um dos pastores envolvidos no caso e também com o homem que atualmente ocupa o imóvel, que já teria sido repassado entre líderes religiosos.
Segundo o relato da mulher, ela morava em outro município do Amazonas quando decidiu deixar a residência sob os cuidados do primeiro pastor. Com o passar do tempo, descobriu que o imóvel teria sido negociado sem sua autorização.
No momento em que um dos pastores chegou à delegacia, ele desceu da motocicleta exigindo que a gravação fosse interrompida e afirmou: “Respeite a autoridade”. Em seguida, declarou que não conhecia a mulher e alegou que o terreno teria sido doado pelo marido dela.
De acordo com a versão apresentada pelo pastor identificado como Evandro, o imóvel teria sido passado inicialmente para um pastor conhecido como Jet. Depois disso, o terreno teria sido repassado para um segundo pastor e, posteriormente, vendido para ele, que afirma ser o terceiro comprador da propriedade. Atualmente, no local funciona uma igreja, e uma irmã da congregação mora nos fundos da residência.
Evandro afirma que não tem relação com a suposta irregularidade e diz que “faz tudo certinho”. Ainda segundo a mulher, durante uma tentativa de acordo na delegacia, teria sido oferecido o valor de R$ 12 mil para que ela desistisse da casa. Já em frente à igreja, o pastor teria afirmado que “não vai dar em nada”.
O caso acontece no bairro Eduardo Braga, área que começou como ocupação irregular e se transformou em comunidade. Apesar de atualmente contar com ruas asfaltadas e iluminação pública, muitos moradores ainda não possuem título definitivo das propriedades.
Durante o depoimento na delegacia, o delegado identificado como Lázaro questionou onde estaria o suposto documento de doação do imóvel, destacando que, para ter validade, o documento deveria conter a assinatura da mulher, do marido e dos filhos, o que, segundo ele, não foi apresentado naquele momento.
No entanto, já em frente à igreja, o pastor afirmou que o documento existe, levantando ainda mais dúvidas sobre o caso.
Evandro diz que também se considera vítima da situação por ter adquirido o imóvel de terceiros. Segundo ele, o pastor Jet estaria em Manaus, enquanto o segundo pastor envolvido moraria no município de Urucurituba.
O terceiro pastor afirma que também foi enganado e responsabiliza o primeiro pastor, identificado como Jet, que atualmente estaria morando em Manaus. Segundo Evandro, ele adquiriu o terreno acreditando que a negociação era legal e agora também tenta provar que não teve participação em qualquer irregularidade.
Ao final da discussão, o pastor declarou que a mulher deveria procurar os outros envolvidos para tentar resolver o problema da propriedade.
O caso segue sendo acompanhado pelas autoridades e deverá ser investigado para esclarecer se houve irregularidade na negociação do imóvel.