AMAZONAS – Uma mulher identificada como Elcy Ara denuncia ter sido vítima de um suposto golpe envolvendo a própria residência no município de Itacoatiara, interior do Amazonas. Segundo ela, o imóvel foi emprestado a um pastor apenas para que ele realizasse cultos e “a obra de Deus” enquanto não conseguia um espaço próprio para abrir a igreja.
De acordo com o relato da vítima, ela precisou se mudar para Manacapuru e deixou a casa, localizada no bairro Eduardo Braga 2, sob responsabilidade do líder religioso, acreditando que estaria ajudando. Porém, com o passar do tempo, o pastor teria destruído toda a estrutura interna da residência.
“Eles quebraram as divisões da casa, arrancaram paredes, puxaram piso e levantaram a frente para fazer uma igreja e um espaço para vender lanches”, contou a dona do imóvel.
Ainda segundo Elcy, a parte dos fundos da residência chegou a ser ocupada pela irmã do pastor. Ela afirma que investiu durante anos na construção da casa, comprando areia, tijolos e outros materiais desde 2018, e jamais imaginou perder o imóvel dessa forma.
A situação ficou ainda mais revoltante quando ela descobriu que o imóvel teria sido vendido por R$ 60 mil para outro pastor do município, conhecido por possuir várias igrejas em Itacoatiara. A vítima afirma que nunca assinou qualquer documento autorizando venda, transferência ou negociação da residência.
Em uma tentativa de acordo, os envolvidos teriam sugerido que ela aceitasse apenas R$ 2 mil para “encerrar o assunto” e evitar que o caso fosse parar na Justiça. Revoltada, a mulher recusou imediatamente a proposta.
“Eu não vou aceitar isso. O que eu vou fazer com R$ 2 mil depois de tudo que construí?”, desabafou.
Segundo ela, um dos pastores chegou a afirmar que gastou cerca de R$ 25 mil em reformas no imóvel e que só devolveria a casa caso recebesse o valor de volta. Além disso, o comprador exigiria o pagamento dos R$ 60 mil para devolver a residência à verdadeira proprietária.
Sem possuir o título definitivo do imóvel, Elcy agora pretende reunir provas por meio de um abaixo-assinado com moradores da rua, vizinhos e lideranças comunitárias para comprovar que sempre foi dona da residência.
O caso deverá ser levado à Justiça e pode envolver crimes como estelionato, invasão de patrimônio, apropriação indevida e venda irregular de imóvel.