Presidente do Fluminense defende receita das bets e compara drama de famílias endividadas ao desemprego no futebol
Brasília (DF) – O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, defendeu a importância dos recursos das empresas de apostas para o futebol durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (3). Ao argumentar contra os impactos da perda dessa receita, comparou o sofrimento de famílias endividadas ao de trabalhadores que poderiam perder seus empregos na cadeia do esporte.
“O drama de uma família endividada não pode ser maior do que o drama de uma família que vai ter que sofrer os efeitos do desemprego”, afirmou.
Segundo Montenegro, a retirada dos recursos das bets atingiria diferentes setores ligados ao futebol, com consequências especialmente graves para clubes menores. Na avaliação dele, a perda de receita comprometeria a capacidade das agremiações de manter empregos e cumprir compromissos financeiros.
Durante a exposição, o dirigente afirmou que o impacto financeiro para o Fluminense seria de aproximadamente R$ 200 milhões, diante de uma receita recorrente entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões. Os valores foram apresentados pelo próprio presidente para dimensionar a dependência do clube em relação aos recursos do setor de apostas.
Montenegro também reconheceu o problema do endividamento das famílias, mas pediu que a Corte considerasse os efeitos econômicos sobre o futebol. Seu argumento foi que a redução das receitas não permitiria uma diminuição imediata das despesas já assumidas pelos clubes, especialmente com contratos e folha salarial.
A audiência foi convocada pelo ministro Luiz Fux para discutir os impactos da Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu a exploração das apostas de quota fixa e prevê o encerramento das autorizações das empresas do setor. O debate integra uma ação apresentada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias, que contesta a medida no STF.
Além dos clubes, foram chamados representantes do governo federal, entidades esportivas e associações empresariais. As manifestações servem para subsidiar a análise do Supremo e não representam, por si só, uma decisão sobre o futuro das bets no país.