Perícia revela que jovem morto em ação da Rocam não disparou arma em Manaus

MANAUS – Laudo do Instituto de Criminalística (IC), divulgado nesta quinta-feira (28), revelou que não foram encontrados resíduos de chumbo nas mãos de João Paulo Maciel dos Santos, de 19 anos, morto durante uma operação da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam), em outubro de 2025, no bairro Vila da Prata, Zona Oeste de Manaus. O resultado da perícia levanta novos questionamentos sobre a versão apresentada pelos policiais militares envolvidos na ocorrência, que afirmaram que o jovem estaria armado e teria reagido à abordagem.

De acordo com o exame pericial, a ausência de partículas características de disparo de arma de fogo indica que João Paulo não efetuou tiros antes de morrer. A conclusão contradiz diretamente os relatos dos PMs, que sustentam ter ocorrido uma troca de tiros e alegam ter agido em legítima defesa durante a ação policial.

Nos depoimentos e relatórios internos da corporação, os militares afirmaram que a equipe foi recebida a tiros após entrar na região para averiguar uma denúncia relacionada ao tráfico de drogas. A sindicância instaurada pela Polícia Militar também reproduziu essa versão oficial. Já a família do jovem contesta a narrativa e afirma que João Paulo estava desarmado, dentro de casa, jogando on-line no momento em que foi abordado.

O caso ganhou grande repercussão após a divulgação de imagens que mostram João Paulo sendo levado ainda com vida por policiais para dentro de um beco. Minutos depois, os mesmos agentes aparecem deixando o local carregando o corpo do rapaz enrolado em um tecido. As imagens aumentaram as suspeitas de possível execução e levantaram dúvidas sobre o que realmente aconteceu durante a operação.

Diante da repercussão, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) passou a investigar o caso e deflagrou a operação “Simulacrum”, que resultou na prisão de policiais suspeitos de participação direta na morte do jovem. Familiares, amigos e moradores da comunidade realizaram diversos protestos pedindo justiça e cobrando transparência nas investigações.

O caso segue sendo investigado pelas autoridades e o novo laudo pode se tornar peça-chave para esclarecer as circunstâncias da morte de João Paulo e a possível responsabilidade dos agentes envolvidos.

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